09 de junho de 2026
min. 23º máx. 32º Maceió
chuva rápida
Agora no Painel MEC Idiomas: nova plataforma oferta inglês e espanhol gratuitamente
09/07/2011 às 18h19

Economia

Governo do Estado aposta na força do algodão sertanejo

Recursos do Fecoep vão fortalecer associação de costureiras e produtores de algodão do Sertão em parceria com a Fábrica da Pedra

Cadeia têxtil no Sertão alagoano é reforçada com apoio do Governo

O fortalecimento da Cadeia Produtiva Têxtil e de Confecções é uma das apostas do Estado para o desenvolvimento da economia alagoana. Nesse sentido, o Governo irá fornecer mais de 1.200 máquinas de costura, com recursos do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep) na ordem de R$ 3 milhões.
 
Para o secretário de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico, Luiz Otavio Gomes, o setor têxtil tem um grande potencial de crescimento em Alagoas. “Através da Cadeia Produtiva e da construção do Polo de Murici, iremos ampliar a produção e comercialização dos produtos. A geração de renda é um dos grandes benefícios, e vai ao encontro do foco do Governo, que consiste na erradicação da pobreza em Alagoas”, afirmou.
 
No intuito de promover a geração de emprego e fomentar o pequeno negócio, a Secretaria de Estado do Planejamento e do Desenvolvimento Econômico (Seplande) também desenvolve, em parceria com o Sebrae/AL, um projeto que contempla capacitações, cursos voltados para gestão, design, contas empresariais e abertura de mercado.
 
Fábrica da Pedra
Em quase um século de atividades, uma referência para Alagoas e, em especial, para o município de Delmiro Gouveia, a Fábrica da Pedra se tornou o primeiro polo industrial do Nordeste brasileiro junto com a implantação da primeira indústria têxtil no Sertão alagoano. Atuando no segmento de fiação e tecelagem, ela impressiona pelos números e ainda se mantém como a principal peça da cadeia produtiva da região.
 
Pertencente ao Grupo Carlos Lyra desde 1992, a Fábrica da Pedra está entre as dez maiores empresas do segmento do país, tem um faturamento anual de R$ 72 milhões e é responsável por 542 empregos diretos e mais de mil indiretos.
 
Não é à toa que os números impressionam. Com um parque industrial totalmente informatizado e com equipamentos de tecnologia de ponta, sua produção mensal é de 1 milhão e 200 metros de fios, mas sua capacidade instalada é para produzir 1 milhão e 300 mil metros de fios por mês.
 
Como informa o diretor administrativo da Fábrica da Pedra, Luiz Anhanguera, a linha de produção trabalha atualmente em quatro turnos, 24 horas por dia e 360 dias por ano. “Estamos entre as dez empresas do segmento mais produtivas do Brasil”, comemora Anhanguera. Segundo ele, quando o Polo Têxtil do Sertão estiver consolidado será possível aumentar ainda mais a produção em Alagoas.
 
De acordo com João Batista, gerente de Produção da Fábrica da Pedra, 97% da principal matéria-prima da linha de produção, o algodão in natura, é comprada do estado da Bahia, enquanto apenas 3% vem do município de Água Branca, por meio da Associação Rural dos Moradores de Quixabeira.
 
“Nosso consumo de algodão na linha de produção é da ordem de 300 toneladas por mês e se houver o produto temos como absolver a produção”, destacou Batista. Segundo ele, a proposta do governo de Alagoas de dar incentivo ao plantio do algodão na região vai trazer benefícios tanto para os agricultores como para a fábrica.
 
O processo produtivo de tecidos da Fábrica da Pedra é divida em seis etapas básicas. Na primeira, que é a preparação à fiação, é feita a abertura e limpeza dos fardos do algodão cru; a segunda consiste na produção dos fios pelas máquinas informatizadas; a terceira é a preparação à tecelagem, onde os fios adquirem resistência; na quarta, os teares finalizam o processo e ocorre a produção do tecido cru; no quinto, ocorre o beneficiamento e o tecido é submetido à produção de estampa e em cores diversas. Por fim, os tecidos são transformados em jogos de camas.
 
Como explica Luiz Anhanguera, diretor administrativo, atualmente 90% da produção dos tecidos é escoada para as regiões Sul e Sudeste do país e retorna para as lojas do Nordeste com valor agregado bem maior, o que encarece o preço final para o consumidor. “Quando o Polo Têxtil estiver instalado em Demiro Gouveia, o preço final para o consumidor vai diminuir em 30%”, destaca.
 
Anhanguera afirma ainda que a parceria entre o governo de Alagoas, o Grupo Carlos Lyra e a prefeitura de Delmiro Gouveia para viabilizar a implantação do Polo Textil do Sertão será um passo importante para o fortalecimento e consolidação da cadeia produtiva da região. “Isso vai possibilitar que boa parte da produção da Fábrica da Pedra seja destinada para os empresários locais e vai representar geração de renda e emprego”.
 
Maria Dolores da Silva, costureira desde os 11 anos de idade, hoje com 60 anos e próximo de se aposentar, trabalha pela segunda vez na Fábrica da Pedra e não vê motivo de se afastar de sua profissão, muito menos deixar a área de confecção. “Adoro o que faço, tenho toda assistência na empresa e não penso em parar”.
 
Já Geruza Maria de Jesus, que herdou a tradição da família no corte e costura, não esconde a satisfação em ser do quadro da fábrica e nem o prazer que sente ao costurar. Ela não quer nem ouvir falar em aposentadoria. “A Fábrica da Pedra é uma mãe para mim e para muita gente. Tudo o que tenho foi fruto do meu trabalho aqui e não quero abandonar a máquina nem tão cedo”, confessa Geruza, que costura desde os 16 anos de idade.


Fonte: Agência Alagoas

Todos os direitos reservados
- 2009-2026 Press Comunicações S/S
[email protected]