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A cena da chegada ao fórum foi igual à dos outros dias. Mas, desta vez, Lindemberg Alves não foi para ouvir, mas para falar. Às 14h16, Lindemberg começou a apresentar sua versão. Ele disse à juíza que teve um relacionamento amoroso com Eloá Pimentel por dois anos e três meses e que "era muito amigo da família" da ex-namorada.
Sabendo que a mãe de Eloá estava na sala, ele declarou: "Quero pedir perdão para a mãe dela em público, porque eu entendo a dor dela".
No fundo do auditório, Dona Ana reagiu visivelmente contrariada. Lindemberg disse que perdeu a hora e não foi trabalhar naquela segunda-feira, 13 de outubro de 2008 e que foi ao apartamento da ex-namorada para conversar com ela: “Fiquei surpreso com a presença do Iago, do Victor e da Nayara no apartamento. A Eloá ficou assustada quando me viu”.
O motoboy tentou explicar por que entrou no apartamento com um revólver e com munição: "Eu estava armado porque dias antes eu recebi ameaças pelo telefone. Era para garantir a minha segurança".
Lindemberg disse que se sentiu traído porque Victor contou que tinha dado uns beijos em Eloá. "Puxei a arma para Eloá quando ela começou a gritar comigo, mentindo que ela não tinha ficado com o Victor", explicou.
O réu disse que manteve só Eloá em cárcere privado, que os amigos dela não quiseram sair do apartamento. "Mandei os três saírem do apartamento porque eu queria conversar com ela sozinho. Mas eles não quiseram".
A juíza explicou que ele não precisava responder às perguntas se quisesse. Lindemberg, então, declarou: “Eu estou aqui para falar a verdade. Eu tenho uma dívida muito grande com a família dela".
O rapaz contou à juíza que tudo piorou quando a polícia cercou o local: "Quando a polícia chegou, fiquei apavorado. Não sabia o que fazer. Eu estava perdido".
Quando perguntado se assistiu pela TV à cobertura sobre o caso, Lindemberg afirmou: "Pode ser chocante o que eu vou dizer aqui. Foi uma vida que se foi, mas, de alguma maneira, levamos na brincadeira aquilo tudo. É difícil dizer isso".
O momento crucial do interrogatório foi quando a juíza perguntou ao réu o que aconteceu depois que a polícia explodiu a porta do apartamento. Lindemberg ficou tenso, teve dificuldade para falar, e depois disse: “Infelizmente, Eloá fez um movimento de levantar e eu atirei contra ela. Não pensei, foi tudo rápido. Fiquei com medo de que ela tirasse a arma da minha mão".
Lindemberg afirmou também que não se lembrava de quantos tiros disparou, nem se atirou na direção de Nayara.
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