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Maceió, 19 de Maio de 2012

17/5/2012 às
Publicado por Heloisa Helena



Ao longo da minha história de vida, desde a infância pobre no interior de Alagoas, vivenciei o belo aprendizado de admirar a coragem como atributo essencial na formação do caráter da mulher e do homem. Aprendi com a vida que sem coragem não é possível ser honesto em terreno ocupado majoritariamente por bandidos, como é a política... Sem coragem não é possível ser solidário e caridoso para defender o oprimido das mãos cruéis dos que tentam aniquilar sua dignidade... Sem coragem não é possível defender a pequena e pobre criança do mundo maldito e poderoso do narcotráfico... Sem coragem não é possível defender os recursos naturais da exploração predatória e feroz da acumulação de riquezas à custa da vida das futuras gerações... Sem coragem estaremos mesmo condenados às prisões do submundo do silêncio diante de todas as formas de expressão dos reinos de dinheiro e poder!

Aprendi também que não é sinônimo de coragem e sim prova cabal da desprezível covardia humana os comportamentos de intolerância e humilhação contra os mais fracos, contra aqueles vulneráveis socialmente e massacrados pela classe social, gênero, cor da pele, orientação sexual, convicção religiosa... isso tem permitido a muitos espancar, violentar, mutilar e assassinar seres humanos. A crueldade desses métodos, dissimulados ou explícitos, tem constituído inaceitável direito por alguns de marcar pela violência imunda e cruel o corpo e a dignidade de outros com a prática que deve ser chamado de crime de racismo, homofobia, intolerância religiosa, machismo e, portanto iniqüidade contra os que pensam, vivem e amam de forma diferente dos padrões e valores hegemonicamente aceitos em nossa sociedade.

Ao longo da história da humanidade, sob a égide da intolerância, milhões de vidas humanas foram destruídas pelos preconceitos e pela tentativa de supremacia do poder material e das convicções pessoais ou espirituais de uns sobre o esmagamento da dignidade dos outros.

Na abordagem das convicções espirituais quem pode esquecer as histórias de horror patrocinadas pelo poder reinante contra mulheres e homens cristãos, templos sagrados do espírito santo que foram crucificados, queimados, destruídos... ou a indignidade contra judeus e muçulmanos e budistas e umbandistas e entre as religiões ou na vã tentativa de acabar com todas elas...experiências onde cada uma religião tenta trazer pra si a exclusividade comercial da condição de ungido por Deus ou no outro extremo, os ungidos pelo fanatismo ideológico e ateísmo que tentam ser proprietários da mente e coração de outros.

Revisitando a nossa própria história temos obrigações com a construção ao menos de uma sociedade de menos barbárie e a necessária preservação das lembranças que insistem em nos dizer: ...A ninguém é dado o direito de esquecer os terríveis colares de orelhas humanas que eram ostentados pelos caçadores de escravos ou as marcas de ferro em brasa que marcavam os negros ou os ganchos de ferro que atravessavam as costelas das negras e as penduravam para sangrar até morrer... A ninguém é permitido esquecer das pequeninas mulheres menininhas pobres que têm suas virgindades leiloadas e são estupradas pelos políticos bandidos e autoridades vagabundas de Alagoas ou em qualquer outro pedaço de terra deste planeta... ... A ninguém é concedido o poder de humilhar com palavras chulas e vulgares ou esbofetear, mutilar e assassinar alguém por sua orientação sexual ou por sua relação homoafetiva... A ninguém deverá ser possível fingir que não viu o mendigo ou morador de rua ou índio em chamas, todos assassinados porque eram o retrato da triste e angustiante miséria humana...

Quem tem realmente coragem de tentar mudar o mundo e construir uma nova sociedade de paz, ética, justiça e solidariedade não prioriza atacar covardemente os mais frágeis e vulneráveis socialmente e não ousa quebrar em pequenos fragmentos de dor e humilhação o coração daqueles que muitas vezes nem podem escolher como viver. Quem realmente quer semear generosidade e respeito em nossa tão frágil “democracia” possibilita, desde a infância em casa até as atividades educacionais e culturais em público, a compreensão ética da belíssima diversidade humana e assim usará a coragem com suas palavras de fogo e esperança inquebrantável contra os reinos podres de corrupção, violência e poder e jamais ostentará arroubos de covardia contra os mais pobres, simples e vulneráveis socialmente!


Tags: Heloisa, Helena, crianças, intolerância, vulneráveis, social

12/5/2012 às
Publicado por Heloisa Helena



 

A minha mãe Helena foi como nós costumamos falar “pai-e-mãe”... meu pai Luiz morreu de câncer ósseo com apenas 35 anos quando eu era ainda uma bebezinha de 2 meses! E foi minha mãe, em nossa pobre casa no interior de Alagoas, quem me ensinou as mais belas lições de Coragem, Honestidade e Solidariedade! 
 
A Coragem por ser uma desbravadora... cresceu no sertão, ficou órfã aos 14 anos, ajudou a criar os irmãos no “cabo-da-enxada” e só foi ser totalmente alfabetizada quando eu consegui entrar na escola com 8 anos e ela voltou a estudar! Virava as noites numa máquina de costura... nunca esquecerei o som do pedal da máquina enquanto eu muitas vezes sentava ao lado com minhas crises de asma ou problema renal ou pulmonar. Aliás, eu tinha tanto problema de saúde que todo ano diziam que eu ia morrer... era tanta promessa que faziam que com 7 anos eu tinha o cabelo no joelho e quando cortaram (pagando promessa) eu cai da cadeira de tanta leveza que deu desequilíbrio! Risosss... e pra azar do banditismo político eu vivi muito mais! 
 
A Honestidade pelo exemplo... nunca esqueço de um dia em que ela me obrigou a devolver minúsculas continhas azuis que sobraram de um vestido que ela costurava e eu as achei e preguei num vestidinho de uma boneca! Na hora não consegui entender e briguei tanto que levei mais uma surra! Exceto a surra a lição foi maravilhosa... entrei no mundo podre da política e não fui contaminada em nenhum momento por esse  submundo putrefato! Aprendi a Honestidade para as grandes coisas pelos ensinamentos nos pequenos exemplos... e certo dia mergulhando na linda Praia do Francês vi a enorme concha mais bela da minha vida... era tão linda que sentei nas pedras para visualizar seu esplendor à luz do sol... e depois humildemente a devolvi mesmo sabendo que talvez alguém acabasse levando-a pra enfeite e desabrigando seu antigo morador!
 
A Solidariedade aprendi na caridade sincera, que nada tem a ver com o assistencialismo demagógico... minha mãe doava a quem pedisse em nossa porta o alimento que já era tão pouco em nossa mesa! Ela conhecia como poucos a partilha do pão! E podia compartilhar em nossa pequena casa (onde eu dormia com ela numa cama na sala!) da tolerância religiosa aos pequenos gestos cotidianos de bondade humana.
 
Neste Dia das Mães minha homenagem é para Dona Helena e para tantas outras mulheres que foram presença inestimável ao longo da minha vida como se fossem também minhas mães e que me ajudaram a ser uma mãe, especialmente generosa e amiga para os meus filhos e filha, minha netinha e tantos mais dos nossos filhos da humanidade!
 
Minha homenagem é para todas as Mães... dos seus filhos do útero e dos seus filhos do mundo... esquecidas ou lembradas, presenteadas ou humilhadas, simples ou sofisticadas... Mães... e assim reproduzo (mesmo reconhecendo que alguns homens são como mães aos filhos) para todas as Mães, que são na verdade grandes mulheres, a simples mas emocionada homenagem que fiz no Dia da Mulher: 
 
“Dia Internacional da Mulher... são muitas histórias para explicar o surgimento da data...das mulheres socialistas nas ruas do leste às lutadoras operárias americanas tecelãs de tecido lilás! 
 
As histórias de agora também são muitas... parecem mesmo aquela que Galeano contava de uma antiga mulher de imensa saia cheia de bolsinhos, em cada um deles papeizinhos que ao serem retirados ressuscitavam esquecidos e mortos e todas as andanças do bicho humano.
 
Queiramos ou não em cada uma de nós recontamos as muitas histórias de outras mulheres espalhadas pelo mundo... no silêncio da neve ou da solidão, nas dunas do deserto ou do mar, nos sertões ou nas cidades, na imensidão das florestas ou das pedras cortadas pelos rios... Afinal, sorrisos e lágrimas são mesmo iguais em qualquer lugar do mundo! 
 
A nossa Coragem vem lá das negras guerreiras que foram açoitadas, marcadas com ferro em brasa, penduradas em ganchos de ferro que lhes atravessavam as costelas, mas nada foi capaz de impedi-las de lutar a gloriosa – mesmo que nem sempre vitoriosa - luta da liberdade!
 
A nossa Intuição vem lá das índias – lobas, corujas, águias, ursas, beija-flores... – decifradoras dos mistérios das matas, florestas, caatingas... colhendo as folhas de todos os remédios e seguindo as estrelas com seus filhos pendurados dividindo leite com outros bichinhos!
 
A nossa Liberdade vem de muitas mulheres... brancas, negras, gordas, magras, novas, antigas, de todas as religiões ou sem nenhuma delas... livres e ousadas para usar o mais vermelho dos batons e sair mundo afora como mestras das artes do encantamento... ou livres e ousadas de cara lavada feito lírios dos campos e ostentando as rugas talhadas pelas dores do tempo!
 
De nada valerá a inveja entre nós... a vã tentativa de apagar na outra o brilho que gostaríamos de ter. De nada valerá a perseguição implacável às outras... reproduzindo as línguas cínicas, machistas e maldosas que condenam nas mulheres o que nos homens aplaudem. 
 
Somos todas igualmente mulheres andarilhas e lutadoras do povo ou condenadas nas prisões domésticas olhando a vida pelas brechas das suas janelas... Somos todas donas do nosso amor e do nosso corpo ou vendidas com a alma dilacerada e a auto-estima destruída... Somos todas em cada uma de nós... em tristezas, alegrias, amores, segredos dolorosos, fraquezas inconfessáveis...apenas Mulheres... e Grandes Mulheres... untadas nos perfumados óleos de ternura e fúria... ostentando as cicatrizes que as lágrimas deixaram na alma como sinais sagrados das suas lutas... colhendo flores e frutos e semeando Vidas nesta maravilhosa experiência de ser Mulher!”
 
Beijos!

Tags: Dia, das, mães

5/4/2012 às
Publicado por Heloisa Helena



 

Eis um período – para mim - maravilhosamente propício para a reflexão sobre Vida, Liberdade, Renascimento, Ritos de Passagem... Hipocrisia, Angústia, Poder, Humildade, Lutas Honradas, Solidão! Desde criança – na catequese por queridas freiras holandesas e padres católicos - que eu achava muito estranho o fato de Jesus ter sido recebido de forma imensamente triunfal “como Rei e Salvador” pelo mesmo povo que em poucos dias gritavam “Crucifica-o, Crucifica-o”... Eu - pequenina, magrela e de imensas tranças – ficava pensando “que gente mais falsa...”
 
O Domingo de Ramos é exemplar! Jesus – debochado por muitos como o “filho do carpinteiro e de Maria” (aliás, pensemos o que sofreu Maria diante das línguas cínicas e ferinas das víboras fofoqueiras...) – que já tinha, de chicote na mão, literalmente botado pra quebrar no templo cheio de farsantes e vendilhões... entra de Jumentinho e é saudado entusiasticamente pela multidão! O Poder Local – César, Pilatos e Cia – em conluio mais que atual, demonstra à multidão que quem estiver ao lado do Rei dos Céus estará contra o Rei da Terra... aí o coeficiente de trairagem popular aumentou velozmente e foram aplaudidas todas as formas de humilhações (da br utalidade nas agressões físicas às cusparadas e xingamentos preconceituosos!). E se faz necessário lembrar que, com raríssimas exceções masculinas, a linda coragem da solidariedade a Jesus, no episódio, ficou mesmo para as crianças e mulheres!
 
O Lava-pés dos Apóstolos na extrema Beleza da Humildade onde o Senhor se torna Servo à serviço da Purificação... repetindo também o ritual onde mulheres do povo lavaram os pés cansados de Jesus e os enxugavam com seus cabelos na Humildade de Servir! O Monte das Oliveiras é outro momento de imensa intensidade espiritual e angústia absolutamente humana... Jesus, mesmo tomado pela Fé e Orações, demonstra tanto sofrimento, tristeza e medo retratando as nossas fraquezas humanas, seja nos Apóstolos que dormiam quando deviam vigiar até a extrema exaustão emocional de Jesus que o leva a suar gotas de sangue. E durante a Crucificação, além do perdão e da opção p elo sacrifício, se apresenta também o doloroso sentimento de abandono e solidão na frase “Eloí Eloí, lema sabactâni... Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste...”
 
E a Páscoa? Ah! Além dos deliciosos ovos de chocolate para alguns que podem comprar... A Páscoa verdadeira em nosso tempo não chegou! Muitos de nós estamos lutando por ela irmanados nos Ritos de Passagem: Escravidão e Liberdade do Povo de Deus, Morte e Renascimento de Jesus! Infelizmente ainda persiste o sofrido caminhar de muitos nas travessias dos desertos de indigência social; nas peregrinações de humilhações extremas por vagas nas escolas e assistência à saúde; nas horas de angústia e desespero em ônibus superlotados; nos escombros sob as chuvas soterrando crianças; nas infames vendas de órfãos para ricos pedófilos e virgindades de meninas para bandid os políticos; na exploração insaciável e predatória da natureza... e em tantas outras formas de Violência, Escravidão e Morte...
 
A Páscoa chegará quando a música, em belos adágios por violinos e flautas, estiver sendo tocada por pequenas mãos pobres e frágeis de crianças que o maldito narcotráfico machucou, mas não aniquilou... A Páscoa chegará quando ninguém ousar ensinar às crianças a prática desrespeitosa das palavras humilhantes e malditas “negrinha, doido, aleijado, bicha”... A Páscoa chegará quando os idosos estiverem sendo contemplados com profundo respeito pelas marcas que o tempo deixou... A Páscoa chegará quando não se ostentar por vaidade luxuosa as peles de animais no vestuário... A Páscoa chegará quando a intolerância religiosa for extirpada e o oportunismo vul gar e comercial em nome de Deus for definitivamente superado...
 
Alguns dirão que tudo isso é romantismo ridículo e impossível de se concretizar... Alguns vão preferir simplesmente fazer de conta que nada enxergam nas dores e sofrimento do mundo o Cristo Crucificado... Mas muitos outros mais repetiremos feito Cecília: “É preciso não esquecer nada... nem o sorriso para os infelizes, nem a oração de cada instante... O que é preciso esquecer... é o dia carregado de atos e a idéia de recompensa e glória!”
 
Felizes todos os dias em que buscamos a Páscoa... nas Travessias em Lágrimas e Angústias pelos Desertos ou em Caminhos Perfumados de Jasmins, Angélicas, Lírios e todas as Flores que anunciam a Generosa Festa da Colheita de Paz, Ética e Justiça Social que um dia chegará!
 

Tags: Páscoa

7/3/2012 às
Publicado por Heloisa Helena



 

  Existem muitas histórias que tentam explicar o surgimento da data em que é proclamado o nosso dia além de todos os outros que jamais aceitaremos que também não sejam os nossos dias! Algumas contam que a data nasceu com a militância das mulheres socialistas nas ruas do leste europeu e outras que é fruto das lutadoras operárias americanas tecelãs de tecido lilás!
 
      As histórias de agora também são muitas... Parece mesmo aquela que Galeano contava de uma antiga mulher de imensa saia cheia de bolsinhos onde em cada um deles repousavam vários bilhetinhos que ao serem retirados ressuscitavam esquecidos, mortos e todas as andanças do bicho humano.
 
      Queiramos ou não em cada uma de nós recontamos as muitas histórias de outras mulheres espalhadas pelo mundo! Seja no silêncio da neve ou da solidão, nas caminhadas em dunas de deserto ou de mar, nos cotidianos dos sertões ou das cidades, nos banhos de igarapés na imensidão das florestas ou nas lavadeiras entre seixos dos rios... Afinal, sorrisos e lágrimas são mesmo iguais em qualquer lugar do mundo!
 
      A nossa coragem e teimosia vêm lá das negras guerreiras que foram açoitadas, marcadas com ferro em brasa, penduradas em ganchos de ferro que lhes atravessavam as costelas por que lutavam a gloriosa – mesmo que nem sempre vitoriosa - luta da liberdade!
 
      A nossa intuição vem lá das índias – lobas, corujas, águias, ursas, beija-flores... – decifradoras dos mistérios das folhas de todos os remédios, seguidoras das bússolas das estrelas, doadoras de leite aos seus filhos ou a qualquer bichinho!
 
      A nossa história é herança de muitas mulheres brancas, negras, gordas, magras, novas, velhas... Mulheres de todas as religiões ou sem nenhuma delas, ousadas para usar o mais vermelho dos batons e sair mundo afora como mestras das artes do encantamento ou livres guerreiras de cara lavada ostentando as rugas talhadas pelas dores do tempo!
 
      Somos todas igualmente mulheres andarilhas e lutadoras do povo ou condenadas nas prisões domésticas olhando a vida pelas brechas das nossas janelas... Somos todas donas do nosso amor e do nosso corpo ou vendidas com a alma dilacerada e a dignidade destruída... Somos todas em cada uma de nós com nossas tristezas, alegrias, amores, segredos dolorosos, fraquezas inconfessáveis... Apenas Mulheres e Grandes Mulheres... Às vezes untadas nos perfumados óleos de ternura e fúria ou exibindo as cicatrizes que as lágrimas deixaram na alma como sinais sagrados das nossas lutas ou provocando as línguas cínicas, mentirosas e maldosas... Mas sempre colhendo flores e frutos por que semeamos vidas e esperanças nesta maravilhosa experiência de ser Mulher!
 
Beijos!
 
Heloísa Helena
 

Tags: Dia, Internacional, da, Mulher

23/12/2011 às
Publicado por Heloisa Helena



Chegamos em 2012... para uns 2011 passou rápido demais e para outros muito demorado em tanto pesar! Mas – distanciados ou não em diferenças teológicas ou culturais – acabamos irmanados num certo simbolismo de reflexão sobre caminhos percorridos durante o ano que passou ou sobre o sentido verdadeiro deste nosso rito de passagem no renascimento do Menino Jesus no Natal. Nesse período identificamos dos ensinamentos ancestrais sagrados de belos valores espirituais até a disputa comercial entre burocracias religiosas na propagação da fé e a voraz hegemonia do consumismo desvairado como norma propagada e vergonhosamente incorporada por muitos.

O Natal para ser celebrado verdadeiramente nos obriga a pensar ao menos em certas circunstâncias do nascimento e da vida de Jesus... Quando as línguas ferinas e maldosas serpentearem para a fofoca vulgar contra algumas mulheres lembrem de Maria e de tudo que ela deve ter sofrido em terríveis e cruéis preconceitos... Quando a ostentação vulgar da riqueza material for mais sedutora do que a honestidade, a honra e o bom caráter pensem na simplicidade de José e da manjedoura... Quando a busca desvairada pelo poder impregnar sua alma em hipocrisia, corrupção e mentiras lembrem de que o menino que celebramos estes dias foi o homem iluminado que enfrentou e condenou esse tipo de poder também com um chicote nas mãos... Quando as crianças nas ruas e sarjetas se mostrarem destroçadas pela miséria humana das drogas e violência lembrem que ali naqueles pequenos corpos em escombros está verdadeiramente o Reino de Deus... Quando olhares com desdém e ironia um pequeno cachorrinho indefeso ser humilhado e espancado até a morte lembra que o Jesus que glorificas nasceu num pequeno abrigo de animais... Quando ousares humilhar, apedrejar e matar alguém - pela cor da pele, pelas formas de amar, pela religião que testemunha, pela extrema pobreza material em que vive - é essencial lembrar também das difíceis escolhas feitas na vida por Jesus...

Tomara Deus nos possibilite todos os bálsamos espirituais para minimizar a dor intensa em tão profundas feridas humanas e que as nossas cicatrizes de batalhas e derrotas nos auxiliem a reencontrar a coragem para novas e honradas lutas... Tomara Deus console as nossas perdas de grandes amores perdidos que se foram vítimas de doenças evitáveis, da violência, dos suicídios, do sofrimento mental, das mutilações físicas e afetivas... Tomara os Anjos do Senhor nos ajudem a enfrentar as tempestades da vida mesmo quando nossas fraquezas imensas nos deixarem perdidos náufragos entre destroços em alto-mar... Tomara os que já perderam a fé na vida possam escavar suas próprias ruínas e encontrar tesouros escondidos de coragem, solidariedade, esperança...

Feliz Natal de todos os dias e um Novo Ano de Saúde, Paz, Lutas e Poesias... e muitas Sementes de Esperanças para serem compartilhadas e cuidadas mesmo no solo árido de imensas injustiças sociais e banditismo político em nossa querida Alagoas e no Brasil!


Tags: Natal, Ano, Novo, Heloisa, Helena, Artigo

18/11/2011 às
Publicado por Heloisa Helena



A estruturação, debate e consolidação do Orçamento Público são sempre de muita complexidade tanto pelos diversos aspectos técnicos como pelo cínico vagabundismo político que sempre o acompanha na elaboração, aprovação e execução. Por determinação da legislação em vigor até o dia 15 de outubro de cada ano o Executivo está obrigado a encaminhar para o Legislativo o Projeto de Lei que Estima a Receita e Autoriza as Despesas. Nesse momento tão especial das Instâncias de Decisão Política devem ser analisados Orçamento Fiscal e da Seguridade Social com inimagináveis detalhes sobre dotações orçamentárias atribuídas a créditos e organizadas por classificação de despesas, de estrutura programática e natureza das mesmas... Além da análise sobre pagamento de pessoal e seus encargos sociais, amortização da dívida fundada, operações de crédito, transferências, remanejamento, convênios... Enfim, centenas de outros detalhes técnicos que passam a ser razoavelmente dominados apenas pelos profissionais da área ou por quem estuda muito para não ser ludibriado pela vigarice política. Os representantes dos esgotos de malandragem nos espaços de poder não se preocupam em estudar nada e unicamente “trabalham” para viabilizar as putrefatas condições objetivas para que usufruam dos milhões do Propinódromo no Orçamento Público em todos os entes federados, em todas as etapas e especialmente na execução orçamentária!

Mas, vamos ao que interessa – Orçamento para Infância e Juventude - pois falar sobre as Excelências Vigaristas e seus Vadios Comensais em Alagoas ou em qualquer outro lugar é repetitivo demais... Aliás, a população já os conhece e mesmo assim tem sempre quem financia político ladrão e eleitor que vota mesmo conhecendo os antecedentes criminais do Larápio!

Como é de conhecimento de todas as pessoas, as crianças e jovens sempre aparecem nos discursos oficiais e nas campanhas eleitorais como seres maravilhosos que simbolizam o tempo futuro... Entretanto, os noticiários sempre falam dos mesmos no tempo presente como os envolvidos em uso de drogas, assaltos, assassinatos bárbaros, etc. E cada vez que terríveis histórias de violência são apresentadas publicamente mais pessoas se associam a defender mecanismos de punição como pena de morte, redução da idade penal, torturas e outros mecanismos medievais de se livrar dos que são considerados lixos-humanos! Se por um lado existe a respeitável e compreensível imensa dor de quem perdeu alguém amado por horrenda brutalidade existem também os demagogos e oportunistas que continuam insensíveis diante da pobreza extrema e da miséria humana que é de fato o mais fértil território maldito de fomentar a violência. Sem com essa constatação negar a existência dos “filhinhos de papai” que roubam e matam confiantes na impunidade, mas estes não dependem desesperadamente da existência das políticas sociais para redução dos riscos da destruição das suas dignidades!

Todas as vezes que identificamos milhares de casos de crianças e jovens no exército de mão-de-obra escrava do tráfico... devemos nos perguntar: Se houvesse educação formal, capacitação profissional, arranjos produtivos sustentáveis economicamente e dinamizando a economia local com emprego e renda...  será que as famílias dessas crianças seriam tão desestruturadas assim rompendo laços afetivos e patrocinando espancamentos, mutilações e mortes nas suas casas? Se houvesse escolas públicas em horário integral com maravilhosas bibliotecas, instrumentos musicais diversos, quadras poli-esportivas e a bela filosofia oriental das artes marciais ou da yoga... será que essas crianças e jovens seriam tão violentos assim? Se as crianças aprendessem o poder do conhecimento antes de compreender o poder do crime ou aprendessem a tocar violino antes de manusear um fuzil e usar drogas ou aprendessem técnicas para atletismo antes de aprender a correr feito desvairado como “aviãozinho” do tráfico... será que se transformariam nos bárbaros assassinos sem compaixão? Se houvesse Centros de Recuperação e Tratamento para Usuários de Drogas Psicotrópicas como digna possibilidade para enfrentar o gigantesco desafio de trocar os “paraísos químicos”, as terríveis crises de abstinência, o desespero de extrema angústia por doses maiores... será que essas pessoas iriam preferir a sarjeta imunda e a condição de depósito humano de AIDS, tuberculoses, exploração sexual nos presídios ou nas ruas? Estou entre os seres humanos que compreendem que algumas crianças e jovens também ficariam perdidos pelos caminhos da vida, pois a mente humana e as emoções são extremamente complexas para a simplória padronização, mas é fato e dúvida não há que milhões de outros mais se salvariam e poderiam viver a vida generosamente em toda sua plenitude.

É exatamente para responder a esses desafios que toda a sociedade deve se organizar para participar em todas as instâncias dos Legislativos – das Câmaras Municipais ao Congresso Nacional – estudando, fiscalizando e apresentando proposições a serem incorporadas nos Orçamentos. Esse exercício de cidadania pode ser feito tanto com base nos diagnósticos situacionais apresentados nas frias estatísticas oficiais de todas as áreas de políticas públicas como também pela sensibilidade da observação das histórias de vidas destruídas e cotidianamente divulgadas nos meios de comunicação. Claro que alguns dirão que tudo isso é impossível e que nada vai mudar, outros acobertam a patifaria dos políticos ladrões e nada farão também, pois sobrevivem da miséria humana mesmo! Mas há muitos (as) que ainda são capazes de lutar pois ainda capazes de sentir no seu próprio coração a indignidade da dor imposta aos outros como se perversidade abominável imposta fosse aos seus maiores amores!


Tags: Heloisa, Helena, artigo, Infância, Juventude

28/10/2011 às
Publicado por Heloisa Helena



  O debate sobre as alterações da legislação eleitoral há décadas se arrasta moribundo no Congresso Nacional! Atribuem aos penduricalhos relacionados ao tema uma pomposa denominação de Reforma Política mesmo sabendo ao proclamá-la que definitivamente não a querem se de alguma forma as alterações propostas modificarem os reinos dos podres poderes já devidamente consolidados! Existem centenas de Projetos tramitando que tratam realmente de concretas modificações na legislação em vigor especialmente no que se refere à ampliação dos instrumentos de democracia direta e, portanto da necessária participação da sociedade civil organizada de forma mais objetiva do que existe hoje. Aliás, o ridículo percentual de 0,05% de Projetos de Lei de iniciativa popular no total votado mostra com clareza as dramáticas dificuldades impostas para obstaculizar a participação do povo nos mecanismos de controle social. É o típico exemplo - se não fosse indigno seria risível – onde o mandante fica obrigado a obter o consentimento prévio do mandatário para poder manifestar a sua vontade dita soberana. Exatamente para alteração dessa ridícula “democracia sem povo” que os projetos que se propõem a alterar essa triste realidade sempre contaram com minha iniciativa como parlamentar e meu apoio... afinal não faltam projetos tramitando com todas as alternativas que possibilitam desbloquear a realização de plebiscitos e referendos, facilitar a iniciativa popular em projetos de lei e emendas constitucionais e, especialmente instituir o essencial ‘recall’ que possibilita a revogação popular dos mandatos eletivos.

          Tratarei aqui de tema relacionado ao debate, mas bem visível e fétido na cotidiana vida política, pois se articula com todas as sujas características dos grosseiros embustes que infelizmente ainda contam com grande apoio eleitoral! As alianças políticas definidas pelos partidos é quase por unanimidade baseada na medíocre matemática eleitoralista, no oportunismo político vulgar, na delimitação dos territórios apropriados como currais por candidatos e no imoral poder de compra e venda dos agenciadores de votos... enfim - além dos obscuros acordos políticos subterrâneos – as alianças registradas legalmente são baseadas nos cálculos para atingir coeficientes, definir o somatório de tempo na mídia, eleger corriolas inteiras, etc. Todas as características discursadas para justificar a não alteração da legislação e inutilizadas nas articulações políticas são justamente aquelas identificadas nos programas partidários, nas concepções ideológicas ou ao menos na razoável identidade de visões de mundo definidas em propostas a serem apresentadas no processo eleitoral propriamente dito!

          Chega a ser impressionante identificar o cinismo que reina nos apaixonados e artisticamente dramáticos momentos de debates nas Comissões de “Reforma Política” especialmente no que se relaciona ao fim das coligações eleitorais proporcionais quando todos nós sabemos que todos os componentes introduzidos ao debate se relacionam a importantes aspectos programáticos que são rasgados sem pudor quando os cálculos são efetivamente feitos! O oportunismo eleitoral – que já é o critério que define quem pode ser filiado ou quem pode ser candidato – nasce nos territórios demarcados pela imensa força espúria da corrupção no aparato público, da violência explícita ou enrustida, da ostentação vulgar do poder do dinheiro (geralmente roubado dos cofres públicos ou financiado por quem dos eleitos espera a garantia do retorno ao investido através dos crimes contra a administração pública!)... e se consolida nas alianças eleitorais registradas sem nenhum respeito aos princípios doutrinários dos partidos ou às concepções ideológicas dos candidatos e são exclusivamente pautadas na patifaria política que ergue as muralhas do seu império e conseguem muitas vitórias eleitorais retumbantes! São raros os casos onde essa lógica eleitoral não se impõe e vitórias eleitorais são conquistadas sem percorrer o submundo putrefato desse gigantesco e vergonhoso poder constituído!

          Mas não permitamos que a desolação - em constatar tantas vitórias eleitorais do vagabundismo político e a triste identificação nos noticiários diários da podridão da corrupção eivada de impunidade - seja capaz até de roubar o que temos de mais precioso que é a nossa capacidade de não aceitar a barbárie social e de lutar a cada novo dia para concretizar um mundo justo, igualitário e fraterno!    


Tags: Aliança, política, oportunismo, eleitoral

7/10/2011 às
Publicado por Heloisa Helena



O Dia da Criança no Brasil – 12 de Outubro - foi definido em 1924, mas a data só virou realidade mesmo depois de 1960 quando duas grandes empresas de produtos infantis resolveram aumentar as suas vendas com a promoção da “Semana do Bebê Robusto” e, portanto dinheiro e publicidade em tempos de crianças esquálidas... Embora em 20 de Novembro de 1959 a ONU tenha aprovado por unanimidade a Declaração dos Direitos da Criança e tenha tentado garantir a esta data o simbolismo de Dia Universal da Criança! Essa Declaração – há 51 anos aprovada – traz Princípios a serem obrigatoriamente conferidos pelas Nações Signatárias em Direitos: I. Igualdade, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade; II. Especial proteção para o seu desenvolvimento físico, mental e social; III. Nome e Nacionalidade; IV. Alimentação, moradia e assistência médica adequadas para a criança e a mãe; V. Educação e cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente; VI. Amor e compreensão por parte dos pais e da sociedade; VII. Educação gratuita e lazer infantil; VIII. Socorro em primeiro lugar, em caso de catástrofes; IX. Proteção contra o abandono e a exploração no trabalho; X. Crescimento dentro do espírito de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos. E no Brasil foi aprovada há 21 anos – com a legitimidade popular de um milhão de assinaturas para regulamentação do artigo 227 da Constituição Federal - a Lei 8069/ Estatuto da Criança e Adolescente com 267 Artigos que conferem todos os Direitos que todas as Mães gostariam que seus filhos (as) tivessem como garantia de vida digna vivida em plenitude.

Cansou de ler? Imagine o cansaço e o desespero de milhares de lutadores sociais espalhados em cada canto do país - que renascem em coragem e esperança todos os dias - na perspectiva de superar o abismo entre as conquistas da legislação em vigor e as propostas concretas já disponibilizadas diante da cotidiana realidade de miséria humana imposta a milhões de crianças como mecanismo potencialmente destruidor dos mais belos sentimentos de inocência e bondade na infância. Imagine especialmente o significado na vida dessas crianças de dias e dias de maus-tratos, negligência material e laços afetivos destruídos, humilhação repetitiva e intensa, espancamento e crueldade, vergonhosa exploração sexual, trabalho aviltante e penoso, abandono e solidão na negação das descobertas e encantamento com o mundo... situações de inimaginável indignidade que marcam como ferro em brasa de forma dolorosa e profunda o coração e a alma das crianças... experiências que na maioria das vezes são impossíveis de serem transformadas apenas em tristes lembranças e permanecem mesmo como imensas cicatrizes mutiladoras remoendo em dores para sempre nas relações pessoais e familiares ou representadas em intensa brutalidade comportamental na vida em sociedade!

As frias estatísticas oficiais – embora jamais possam medir as lágrimas e os sofrimentos pessoais ou coletivos - mostram em incontestável precisão matemática as histórias de pequenas vidas friamente destruídas todos os dias nas ruas, nas periferias, nas casas, nos campos ou nas cidades... utilizadas como mão-de-obra escrava do narcotráfico, exploradas sexualmente em seus pequeninos corpos, famintas catando restos alimentares ou esqueléticas pelo uso do crack, morrendo por causas evitáveis no sistema de saúde ou vítimas diretas da guerra silenciosa na violência que mata crianças no Brasil – ou as deixa órfãs – em número muito maior que todas as guerras e conflitos armados em vários países... Crianças envolvidas na criminalidade e crianças morrendo de forma cruel e horrenda! Crianças que aprendem o que de pior existe no consumo e banalização de drogas psicotrópicas lícitas e ilícitas, na sexualidade infame e precoce, nas técnicas de violência para ter a sensação de proteção e poder pessoal, mas são impedidas pela ausência criminosa do aparelho de estado de terem acesso à educação, música, cultura e esporte para nem cobrar tudo que efetivamente elas têm direito conferido no arcabouço jurídico brasileiro vigente e em todas as normas internacionais ratificadas pelo país.

O mais doloroso é que a cada novo Dia das Crianças mais análises epidemiológicas são apresentadas nas mortes por causas evitáveis, mais estudos pedagógicos são consolidados comprovando a importância do acesso ao conhecimento e da melhoria das condições objetivas de vida, mais elementos da neurociência são compreendidos demonstrando como as políticas sociais na infância são importantes tanto para potencializar as habilidades cognitivas em lógica e matemática, a evolução da linguagem, o conhecimento cultural, a estruturação das análises e julgamentos dos fatos, a nutrição do afeto... tantas ferramentas poderosas e maravilhosas à disposição e que se introduzidas no período da infância serão de tal forma consolidadas que ninguém nunca poderá roubar a dignidade existencial de uma criança e o seu futuro em vida vivida com dignidade! Talvez seja exatamente por isso que tão pouco interesse político exista para transformar tão dura e constrangedora realidade!     

Tomara um dia possam todas as crianças conquistar o direito de brincar muito e possam também ter belos livros companheiros e possam amar os animais e respeitar a natureza... e possam ouvir músicas e recitar poesias e olhar as estrelas ou gargalhar muito uivando pra lua... e possam ser muito amadas independente da cor da pele ou de serem portadoras de deficiências ou sofrimento mental... e que não sofram preconceitos ou humilhações por nenhuma das características que apresente... Que sejam apenas crianças vivenciando os preciosos e insubstituíveis momentos da infância como se “no tempo da maldade a gente nem tinha nascido”!


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