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Maceió, 22 de Maio de 2013

11/3/2012 às
Publicado por Dom Muniz



A cada ano, a Igreja que está no Brasil vem promovendo a Campanha da Fraternidade, durante o tempo da quaresma. Para os cristãos, que se preparam para a Páscoa do Senhor, esse tempo é propício para empreender com gestos fraternos de solidariedade – inspirados na prática do senhor, em sua compaixão pela miséria humana, - alentar a dor e sofrimento daqueles que gritam por socorro.

A Campanha da Fraternidade, neste ano com o tema “Fraternidade e Saúde Pública”, e o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”, quer envolver a todos. Por isso, ela ultrapassa o âmbito da Igreja Católica e convida todas as demais Igrejas e as pessoas de um modo geral, mesmo aquelas que não creem, para o desafio de fraternalmente se empenharem na promoção humana.
 
A Campanha da Fraternidade sempre apresenta sua preocupação com o resgate da dignidade da vida em quaisquer instâncias. Por isso, ela traz, à tona, temas fundamentais de interesses sociais e humanitários, convocando, assim, a sociedade a discutir e assumir, através de gestos concretos, um compromisso com os menos favorecidos e, por isso mesmo, excluídos das decisões que lhes favoreçam um mínimo de bem-estar.
 
A Campanha da Fraternidade, neste ano, chama a atenção para os graves problemas enfrentados pela Saúde Pública no Brasil. O objetivo geral da Campanha da Fraternidade de 2012, é: “Refletir sobre a realidade da saúde no Brasil, em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas, na atenção aos enfermos e mobilizar por melhoria no sistema público de saúde (p.12 do texto-Base). Além do objetivo geral, a Campanha da Fraternidade para 2012 apresenta seis objetivos específicos, que são:
a) Disseminar o conceito de bem viver e sensibilizar para a prática de hábitos de vida saudável.
b) Sensibilizar as pessoas para o serviço aos enfermos, o suprimento de suas necessidades e a integração da comunidade.
c) Alertar para a importância as organização da pastoral da saúde, nas comunidades, criar onde não existe; fortalecer onde está incipiente e dinamizá-la onde ela já existe.
d) Difundir dados sobre a realidade da saúde no Brasil e seus desafios, como sua estreita relação com os aspectos sócio-culturais de nossa sociedade.
e) Despertar nas comunidades a discussão sobre a realidade da saúde pública, visando a defesa do SUS e a reivindicação do seu justo financiamento.
f) Qualificar a comunidade para acompanhar as ações da gestão pública e exigir a aplicação de recursos públicos com transparência, especialmente na saúde (cf.p,12 do Texto).
 
A Nossa Constituição assegura que a saúde é um direito de todos e que é um dever do Estado. Porém, infelizmente, não é isso que vem acontecendo no nosso país. Basta dar uma olhada nos postos de saúde nas cidades do interior e em nossos prontos socorros para constatar certo descaso com a saúde pública dos cidadãos brasileiros. Não podemos deixar de reconhecer alguns avanços, mas num todo, apesar do avanço da ciência e da técnica no campo da saúde, nossos pobres ainda vivem – ou morrem – sem assistência médico-hospitalar que correspondam à dignidade dos cidadãos deste país.
 
O Texto da Campanha da Fraternidade nos lembra de que saúde não é apenas a ausência de doença, mas sim, um processo harmonioso de bem-estar físico, psíquico, social e espiritual. Enfim, é o cuidado do ser humano como um todo. De modo especial, renova em todos nós, o compromisso samaritano da Igreja. A parábola do Bom Samaritano aqui se torna emblemática do cuidado que devemos ter com o outro, quando, tantas vezes encontramos caído pelo caminho, ferido, doente, desassistido, gritando por socorro a todos que passam , muitas vezes, preocupados com seus problemas mais imediatos, não escutando o clamor desses necessitados.
 
É, mais uma vez, a hora de empreendermos o gesto samaritano, que deve ser marca constitutiva do nosso ser cristão.Mãos estendidas, direcionadas e prontas para atenuar a dor e o sofrimento daqueles que padecem de todos os males, deixando, assim, nossa sociedade doente.É mais um desafio para nós que cremos e optamos pela dignidade da vida:padres, agentes de pastoral e todos os homens e mulheres de boa vontade prontos e disponíveis para promover a vida.

Tags: Saúde, doença, fraternidade, Dom, Muniz

28/10/2011 às
Publicado por Dom Muniz





Nestes dias, boa parte do clero, de nossa Arquidiocese está fazendo seu retiro anual, na cidade de Fátima, em Portugal. Participo dessa feliz iniciativa dos padres com grata alegria. Esta cidade e reveste de um simbolismo espiritual para todos nós, sacerdotes. Estar no lugar das aparições de Nossa Senhora nos toca a todos, pelo mor e devoção filial que consagramos à Mãe do Senhor.

O retiro é uma experiência da Graça! É um tempo propício para estar mais próximo de Deus, na escuta atenta de sua Palavra. Nestes dias de intensa oração, a espiritualidade sacerdotal é renovada. Ao deixar as atividades comuns do cotidiano do ministério, os padres têm a oportunidade de refletir, de forma orante, o serviço prestado à Igreja, avaliar sua prática pastoral, pensar com mais cuidado o dom e a graça de sua vocação, firmando na fé sua identidade sacerdotal, buscando o verdadeiro sentido de sua consagração.

Durante esses dias, teremos oportunidade da feliz convivência fraterna. Sustentados pela graça do Espírito, nosso tempo será preenchido pela oração comunitária e individual; na celebração penitencial e confissão, teremos alegria da reconciliação com Deus e com nosso ministério; na adoração ao Santíssimo Sacramento, estaremos intimamente na presença do Senhor, e neste momento tão especial, como não se lembrar de sua comovente palavra: “já não vos chamo servos, mas amigos”.
As palestras proferidas que despertam em todos a gratidão por terem sido escolhidos e consagrados ao louvor de Deus e ao serviço dos homens, inspiram, ainda mais, o desejo de entregar-se, inteiramente, à força do Espírito de Jesus Ressuscitado que nos impele, com esse novo ânimo, à missão.

Finalmente, coroando esses dias de graça, poder concelebrar a Eucaristia como sinal pleno da comunhão de nosso presbitério nos cumula a todos de grata alegria.

Por estar na cidade de Fátima, esse retiro se reveste de um sentido profundamente mariano. Nossa devoção à Virgem Maria é também renovada. Ela que á Mãe solicita dos sacerdotes, modelo de toda Igreja sacerdotal pelo seu amor, obediência, testemunho, serviço e adesão incondicional à vontade de Deus, inspira-nos à entrega total de nosso ser a Deus, diante de quem a Virgem reconhecia, alegremente, suas maravilhas, sempre realizadas em favor de todos os que o respeitam.

Acompanhemos, portanto, os nossos pastores, nesse dias especiais de intimidade com o Senhor, com sincera e constante oração, tendo-os sempre como homens de Deus, mas colocados ao serviço dos homens, numa Igreja missionária e samaritana.
Que eles possam, guiados pelo Espírito do Bom pastor, retornar às atividades, em suas paróquias e comunidades, com novo vigor que expresse o coração sacerdotal de Jesus Cristo, com verdadeiro testemunho missionário e evangelizador.

Aqui, no Santuário de Fátima, renovamos a nossa consagração e devoção a Nossa Senhora, recomendando-lhe todos os padres da Arquidiocese de Maceió e as famílias de suas paróquias.


Que ela seja sempre nosso auxílio e proteção, na construção do Reino.


Tags: Dom, Muniz, retiro, Fátima

21/9/2011 às
Publicado por Dom Muniz



Em setembro, de modo mais insistente, a Igreja nos convida a voltar os olhos, ouvidos e coração para ver, ouvir e meditar, com mais cuidado, a Palavra de Deus Escrita, como a encontramos nas Sagradas Escrituras. Este mês é dedicado à Bíblia, e muitas comunidades estarão reunidas para rezar e estudar estes livros sagrados para todos nós cristãos.

Setembro foi escolhido como mês da Bíblia como uma forma de homenagear o grande estudioso das Escrituras, o biblista São Jerônimo que, movido por seu amor aos Textos Sagrados, estudou-os com piedade e profundidade próprios daqueles que amam a Palavra de Deus. Como resultado de sua intimidade com os Livros Santos, São Jerônimo nos legou a riquíssima tradução da bíblia para a língua latina, conhecida como a Vulgata. Graças a essa tradição – oficial da igreja católica – muitos puderam ter acesso e foram enriquecidos pela sabedoria divina, escrita para a nossa salvação.

Deus se nos revela na história, na nossa história marcada pelas contradições próprias de nossas limitações humanas. Ao longo da história da Salvação, o Senhor nos tem falado, através dos acontecimentos mais inusitados dos nossos dias.

A Constituição Dogmática Dei Verbum nos lembra: Deus fala aos homens como a amigos, convivendo conosco e nos convidando à comunhão com Ele. Por isso, a Igreja nos ensina: a Palavra de Deus. Ela não é a palavra, pois esta tem um nome, é uma pessoa: Jesus, a Palavra que existe em Deus, desde o princípio, e que o Prólogo do Evangelho de São João afirma, solenemente, ser ela, a Palavra (Verbo) que se faz carne, se faz gente e veio habitar entre nós. Portanto, é Jesus, o Filho amado do Pai, que nos revela a plenitude da Palavra de Deus.

Nos textos bíblicos, aonde encontramos por escrito a Palavra de Deus, a Igreja busca o alimento necessário para manter viva a sua fé. Frequentando a Escritura, através da oração, estudo e meditação da Palavra de Deus, ela encontra o sentido de caminhar na fé, renovando-se sempre, para ser, no mundo, missionária e evangelizadora. Sendo discípula, na escuta fiel do Divino Mestre que lhe fala nas Escrituras, ela encontra o sentido, sua identidade de Povo de Deus que caminha orientada pela Palavra amorosa, paciente e instigante do Senhor.

Em suas celebrações, as Comunidades católicas se reunirão, neste mês, procurando ressaltar a importância da Bíblia, no dia a dia dos cristãos, a fim de suas ações missionárias e samaritanas serem sempre motivadas, orientadas e sustentadas pela força transformadora da Palavra de Deus.

Não podemos, jamais, esquecer: a Bíblia é católica, ela nasceu na Igreja. Por isso, é muito importante apossarmo-nos dela. Daí, a participação nos ciclos bíblicos, a leitura orante das Escrituras, para assim podermos, rezando com a Bíblia, conhecer e amar, com mais intensidade, a Palavra de Deus. Que São Jerônimo, com o seu testemunho de amor às Sagradas Escrituras, rogue ao Verbo eterno por cada um de nós para não sermos meros ouvintes curiosos, mas praticantes da Sua Palavra, conforme as Escrituras.


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7/9/2011 às
Publicado por Dom Muniz



Vivemos, nesses dias do novenário da festa de Nossa Senhora, momentos intensos de reavivamento de nossa fé católica. Em todas as celebrações, a Igreja Catedral esteve repleta de fiéis que fizeram questão de declarar seu amor à Mãe de Jesus. Todos nos colocamos como filhos devotos que, com alegria confiante, louvamos e suplicamos os favores da Senhora dos Prazeres.

A Catedral se fez pequena devido à tamanha quantidade de devotos que acorreram à Igreja Mãe de nossa arquidiocese e foram acolhidos como verdadeiros filhos no coração da Mãe. Aí, o povo de Deus foi orante e convidado para experimentar a alegria cristã, mesmo em meio às adversidades da vida. Sem alienação ou fuga dos nossos tantos e dolorosos problemas, buscamos com confiança a proteção da Virgem, para que tenhamos coragem de enfrentar nossas lutas diárias, revestidos e fortalecidos na fé.

Inspirados no testemunho fiel da Mãe do Senhor, saímos renovados do fervor missionário e samaritano, para enfrentar os inimigos da Cruz de Cristo, cantando com fervor à Padroeira de nossa cidade: “Sem vós nossa luta é renhida, somos pobres e humílimos seres, defendei-nos ó Virgem querida...”

A festa da padroeira foi verdadeira católica. Nossas paróquias, comunidades, movimentos, pastorais e associações deram o exemplo de comunhão de fé e amor, que muito alegrou o meu coração de pastor. A participação de todos foi efetiva. Na Eucaristia, celebramos a festa do Senhor e catamos as alegrias de Nossa Senhora, reconhecendo que O Todo Poderoso fez nela e, em nós, maravilhas.

Terminada a festa, retomamos com mais ardor o nosso empenho missionário. Possamos nós, com o testemunho de uma fé operante, no cotidiano dos nossos dias, lembrar-nos sempre que a Igreja que está em Maceió quer ser toda ela missionária e fiel anunciadora de Jesus. E, com os gestos samaritanos de serviço aos tantos pobres e esquecidos de nossa cidade, como cristãos comprometidos com a vinda do Reino, não esquecê-los. Eis o desejo do meu coração de pastor.

Obrigado a todos que se comprometeram na realização desta festa de Nossa Senhora. Foram muitas as mãos que fraternalmente se deram. Graças a Deus e a todos vocês, podemos testemunhar uma igreja viva, alegre e celebrante. A festa continua, o vinho da alegria não pode faltar!

Que o Senhor abençoe a todos e Nossa Senhora dos Prazeres  acompanhe com sua proteção materna a todos vocês, peregrinos na fé e na esperança, pelas estradas da vida.


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9/8/2011 às
Publicado por Dom Muniz



Agosto é um daqueles meses temáticos que a Igreja no Brasil consagra para aprofundar um tema importante para a espiritualidade, a mística e o serviço cristão. Por isso, em todos os dias deste mês, vamos refletir, avaliar e, especialmente, rezar tendo sempre presente o tema das vocações. Sim, estamos no mês vocacional!

Somos todos vocacionados. Desde os primeiros instantes de nossa existência, o Senhor nos Chama. Somos chamados à vida, à fé: dizemos serem as vocações fundamentais que caracterizam a condição humana.

Somos vocacionados à vida, dom gratuito de Deus. Essa vocação fundamental nos faz pensar na dignidade de vida humana. Viver bem, viver feliz e realizado, esse é o nosso primeiro chamado: vida. Mas Deus, em sua intimamente sabe que a vida de verdade só teremos em comunhão com Ele, nosso Criador; sendo assim, nos chama à fé, amizade e confiança Nele. Éa nossa resposta ao chamamento divino.

Além das vocações fundamentais à vida e à fé, comuns a todos, o Senhor nos chama, de perto, com mais intimidade, numa vocação especifica. Seja ela: leiga, matrimonial, religiosa e/ou sacerdotal. Esses são modos bem precisos de realização pessoal, expressão de liberdade, de amor responsável e serviços comprometidos com o plano amoroso de Deus.

O tema das vocações é de grande importância para ávida da Igreja e seu testemunho no mundo. Uma Igreja missionária e samaritana necessita que seus membros correspondam, com amor e fidelidade, à vocação especifica a qual são chamados. Aqueles que são felizes e realizados em sua vocação deixam transparecer aos demais, o cuidado, o respeito, a promoção da vida, vivida com dignidade, um direito fundamental de todos.

Rezemos, portanto, procurando, também, assumir, promover e incentivar a pastoral vocacional. Emprenhando-nos, sobretudo, junto aos jovens, como nos lembra o Documento de Puebla: “a juventude é a faze por excelência das opções”. Sejamos todos promotores vocacionais, ajudando-os no discernimento vocacional, com o nosso apoio e testemunho de vida cristã, numa Igreja que está a serviço.

Enfim, convido os padres, em suas paróquias, os movimentos leigos e pastorais, em especial, a pastoral familiar para aproveitar este mês de agosto, proporcionando momentos de oração, reflexão e ação, aonde todos, em suas vocações especificas, encontrem a alegria de uma verdadeira vida cristã que se consagra inteiramente a serviço, em especial, dos pobres, também chamados à vida feliz.


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26/7/2011 às
Publicado por Dom Muniz



A Palavra de Deus, neste XVI Domingo do tempo comum, convida-nos a pensar sobre a paciência de Deus que cuida de todas as coisas e tudo governa com Justiça e misericórdia. Assim nos lembra a primeira leitura do livro da Sabedoria.

Como seria bom se os responsáveis pelo governo do povo se inspirassem, pelo menos um pouco, na pratica da justiça do Senhor! Por certo, muita dor e sofrimento seriam poupados.

As parábolas narradas por Jesus, no Evangelho, expressam essa paciência de Deus, que não tem pressa; não age, impulsivamente; espera a justiça acontecer, pois, em seu plano amoroso, ele anseia todos praticarem também, a justiça, uma vez dela depender a humanização do homem e a construção de uma sociedade fraterna e solidária.

Um dos modos de se perceber a justiça é ser ela distributiva, restituindo ao outro aquilo que lhe é de direito. O primeiro e fundamental direito de todos é o direito de viver com dignidade, de ter vida. Ninguém pode, impunemente negar esse direito ao outro. Seria como semear, em seu terreno, em meio ao trigo, alimento da vida, o joio que sufoca, engana e até pode matar.

Contudo, é bom ter sempre presente: a paciência de Deus não é inoperante, não leva ao fatalismo. Ela é confiante, na capacidade de o próprio homem mudar, assumir uma nova atitude: a de conversão! No momento oportuno, insurge o agir de Deus ao mostrar a Sua Força aos que duvidam, reprimindo a audácia dos que não O conhecem, pois Ele é Deus e, fora dele, não há outro.

O homem, mesmo com todo o poder adquirido ao longo do tempo, através de sua mentalidade técnica – cientifica, não é Deus! Sua vocação é ser humano. E sem a prática de justiça não existe verdadeira humanidade, pois a justiça nos humaniza a todos. Ninguém pode colocar-se acima do bem e do mal. É justamente essa grande tentação que impulsiona a agir humano, no decorrer da sua historia, marcada por tantas contradições. Ao negar sua humanidade, o ser humano se animaliza. Essa é a mais pura e triste verdade! A justiça dos homens, sem inspiração divina, por si só, se traduz em injustiça, pois a pressa em se apropriar de tudo sai atropelando os outros, provocando dor, violência, exclusão, negando, assim, o direito de o outro viver com dignidade.

Cristãos que somos, comprometidos com a nossa fé, confiantes com a nossa fé, confiantes na força transformadora da Palavra Único e Verdadeiro Deus, como nos revela Jesus Cristo, temos o dever de agir e pensar diferente da lógica daqueles que semeiam o mal, disseminam a injustiça e exalam violência e opressão. Devemos ter em nós, como imperativo ético, a prática da justiça, a promoção do bem e o compromisso com a verdade. Com paciência, mas sem indolência, confiantes nas palavras do Apostolo Paulo na Carta aos Romanos: “ O Espírito vem em socorro de nossa fraqueza... intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis”, devemos seguir adiante, superando nossas contradições e, com testemunho, verdadeiramente cristão, promover, inspirados pela Palavra de Deus, a justiça que constrói a verdadeira humanidade, capaz de transformar o mundo, para nele habitar os verdadeiros filhos de Deus.


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11/7/2011 às
Publicado por Dom Muniz



No contexto de nossa vida em comunidade, o valor de estar juntos e partilhar a vida de forma profunda na dimensão da comunhão dos corações, é simplesmente ignorado. Somos incapazes de trabalhar com nossos irmãos, de construir projetos comuns, sentimo-nos autossuficientes em tudo. Ditamos nossas próprias normas.

Dessa forma, o outro é desrespeitado na sua dignidade e o coletivo é ignorado como valor, inclusive diante das conseqüências advindas de decisões ou posturas puramente individualistas.

As relações reais são cada vez mais ofuscadas ou negadas pelas chamadas relações virtuais. Às vezes se dedica muito mais tempo com relacionamentos virtuais, esquecendo-se aqueles reais que acontecem no quotidiano. É muito mais cômodo tratar com pessoas que na realidade não existem do que enfrentar o desafio de construir comunidades reais onde o amor e os conflitos fluem do concreto e caminham para atingir aquele nível de maturidade que nos plenifica.

Fazendo a memória de alguns aspectos ou características do contexto no qual vivemos e que, em vários modos afetam nossa vida e nos condicionam ou questionam em nossa missão ministerial e que, indubitavelmente, fazem parte de nosso quotidiano, não podemos nos portar de forma passiva ou indiferente.
Diante destas sombras que pioram sobre o mundo em nosso tempo e afetam concretamente a nossa vida, o que significa ser um ministro ordenado ou um cristão batizado? Qual o desafio que se ergue diante de nós, que temos a missão de trazer luz às trevas? O que se espera de quem é chamado a entrar no turbilhão e na agonia dos tempos e pronunciar uma palavra de esperança? Qual tem sido nossa atitude diante destas realidades que nos desafiam em nossa fidelidade? Como enfrentamos a tentação de promovermos concessões que, muitas vezes ferem a dignidade de nossa profissão de fé cristã?

São Paulo nos propõe um caminha radical: “Não vos conformeis ao mundo presente, mas sede transformados pela renovação de vossa inteligência, para discernirdes qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que lhe é agradável, o que é perfeito “ (Rm. 12,2). Nossa atitude frente às realidades do presente de nossa história deve ser movida pela fé que gera em nós uma inquietação operante. Jamais devemos nos colocar de forma passiva e ingênua diante do mundo. Necessitamos de uma consciência lúcida que nos faz discernir com sabedoria. O cristão é chamado a agir com inteligência frente ais desafios do tempo presente.


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1/7/2011 às
Publicado por Dom Muniz



Experimentamos, no ano passado, ocasiões de dor e sofrimento provocados pelas enchentes, quase destruidoras de algumas cidades de nossa Arquidiocese.

Entristecidos e solidários, também, nos angustiamos com o drama vivido pelas famílias vitimas de tão grande catástrofe.

Acompanhamos com oração e ações imediatas a dor desses nossos irmãos; procurando ser, para eles e com eles, uma Igreja verdadeiramente samaritana. Solidários a sua dor, o povo de Deus, na Arquidiocese, correspondeu - naquele momento especial – à sua vocação fraterna: foram mãos estendidas para socorrer os flagelados. Multiplicaram-se as ações em prol desses irmãos.

As paróquias atingidas foram assistidas pelos seus padres. Não se omitiram naquele difícil momento, mas abriram as portas das igrejas, salões paroquiais para acolher os desabrigados. Eles foram verdadeiros pastores! Suas iniciativas demonstraram os sentimentos de Cristo, o Bom Pastor, não deixando o rebanho entregue à própria sorte. Foram zelosos os nossos padres! Deus seja louvado por esses homens generosos no serviço fraterno! Silenciosos, não apareceram na mídia, mas as vitimas das enchentes viram e reconheceram seu valor, naquele momento de tragédia. Foram fiéis servidores di rebanho do Senhor.

Depois de passado os primeiros momentos de choque, a Arquidiocese persiste com campanhas, para assistir, de maneira continuada, as vitimas.

Como resultado, logo pensamos e colocamos em prática, com o apoio de voluntários, o Projeto Bem Vindo Bebê, para assistir as mulheres grávidas e seus filhos e, em especial, aquelas, ainda adolescentes e pobres, encontradas nos abrigos improvisados, trazendo-as para Maceió, a fim de serem assistidas e acompanhadas por pessoas especializadas.

Decorrido um ano das enchentes, queremos, agora, fazer um ato celebrativo, com objetivos específicos: fazer memória, para não perdemos de vista tão triste acontecimento e, ao mesmo tempo, ficarmos vigilantes, cobrando das autoridades competentes, empreendimentos que favoreçam nosso povo, para que tragédias como aquelas não se repitam e não mais encontrem o povo totalmente exposto às intempéries naturais, muitas vezes, por descaso das autoridades públicas.

O Ato Celebrativo será neste domingo, dia 19 de junho, quando estaremos reunidos em Branquinha, uma das cidades vitimadas pelas enchentes. Lá, com testemunhos de pessoas que enfrentaram as tragédias, celebraremos a Eucaristia concelebrada com os padres das cidades atingidas, quando renderemos graças a Deus por nos ter dado coragem e força para enfrentar as adversidades da vida, sem resignação, mas com a ousadia daqueles que se deixam conduzir pelo poder transformador do Evangelho.


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