Foto da banda com o chefe Leandro "Lelê" Bortholacci. Sonhos se realizam, sim.
Até o Marcelo D2 imortalizou, em música, a relação da banda DeFalla e o Circo Voador no Rio de Janeiro. É uma daquelas coisas inexplicáveis que acontecem.
Afinal , por que uma banda gaúcha tão anárquica e vanguardista teria tanta relevância no cenário musical carioca da virada dos anos 80 para os 90, no Circo? A coisa certa na hora certa? Mistérios do Rock...
A verdade é que o DeFalla sempre foi bem-recebido no Rio de Janeiro, muitos amigos e amigas, a mídia sempre simpática: rádios, jornais, revistas e Tvs, sempre divulgando e apoiando as loucuras da banda. Shows em casas memoráveis como "Crepúsculo de Cubatão", "Canecão", "Teatro Ipanema", "Sambódromo (Hollywood Rock 93)" e é claro: o CIRCO VOADOR.
Pessoalmente, eu considero o CIRCO VOADOR umas das casa de shows mais bacanas do país, sinceramente. O ambiente é agradável, o som é bom e a atmosfera e o astral do lugar são excelentes, fora os amigos e amigas que trabalham ou trabalharam lá, sempre simpáticos.
Por isso tudo fiquei muito feliz com o convite do querido amigo Alexandre "Rolinha" Rossi, para tocarmos lá no último dia 12 de Maio de 2013, abrindo para o BNEGÃO & SELETORES DE FREQUENCIA, nossos "pupilos" queridos que iam assistir aos nossos shows há 20 anos atrás. Coisas de Karma.
Foi um show histórico e catártico que, acredito, foi tão relevante quanto qualquer outro show que tenhamos feito por lá e, quem sabe, não será lembrado também daqui a 20 anos?
O texto do site oficial do Circo está bem interessante:
"O DeFalla surgiu nos anos 80 no auge do pós punk. A rapidez com que o a banda processava informação deixava os fãs atônitos. E nenhum critico foi rápido o bastante pra conseguir classifica-los antes deles mudarem totalmente seu estilo.
Funcionando como um buraco negro que sugava qualquer estilo e regurgitava em forma de música, o DeFalla nunca fez um disco igual ao outro.
Durante os anos 90, shows do DeFalla eram eventos incomparáveis. O efeito no público era estupefante e os shows acabavam invariavelmente com pelo menos metade da galera em cima do palco pulando como pulgas anfetaminadas. Flavio Santos, Castor Daudt, Biba Meira e Edu K deram um novo sentido a teoria do caos.
Esse caos pode não ter feito sentido pra muita gente na época, mas entortou a cabeça das pessoas certas. Gente como Chico Science, que depois montou a Nação Zumbi e a dupla de MC’s carioca Marcelo D2 e BNegão, que anos depois fariam parte de uma das bandas mais fodas do rock brazuca, o Planet Hemp.
O BNegao está em sua melhor fase. Após lançar o segundo disco “Sintoniza Lá” – mais esperado pelos fãs que a segunda vinda de Cristo – viu sua popularidade alcançar os píncaros do olimpo pop. Participou da cerimônia de encerramento das olimpíadas de Londres ano passado, viu seu novo trabalho ganhar o prêmio da MTV de melhor disco do ano e fez uma noite memorável no Circo. Convidar o DeFalla para abrir essa noite vai ser uma realização épica para o rapper carioca. Afinal, foi assistindo aos shows dessa banda gaúcha que ele moldou o som e o estilo que deram origem a todos os seus projetos.
Um encontro nada menos que histórico!"
DeFalla e BNegão no CIRCO VOADOR no Rio, show histórico... Crítica completa:
Parece óbvio que o Rock não é mais um estilo muito popular atualmente.
Embora ainda tenha uma grande relevância, principalmente no exterior, o Rock vem perdendo feio para outros estilo aqui no Brasil. Desafio alguem conseguir escutar um Rock em alguma rádio brasileira AM (como era comum até o final dos anos 90) ou até mesmo em FMs, que vem diminuindo cada vez mais a oferta deste estilo, a não ser em programas saudosistas especiais, geralmente dirigidos por "coroas" de mais de 40 anos, como eu...
Por outro lado, temos uma oferta cada vez maior de bandas, que voltam com suas formações originais ou para tocar álbuns considerados clássicos.
É uma contradição: menos procura e mais oferta, mas é o que vem acontecendo. Isso porque ainda existe muito roqueiro fiel por aí, principalmente com mais de 30 ou 40 anos que tem condições de bancar ingressos para estes shows.
Por isso temos PAUL McCARTNEY tocando em Fortaleza, YES em Porto Alegre e THE CURE em SP. Fora a invasão de "retornos" de bandas roqueiras brasileiras dos anos 80/90, como o DEFALLA, (da qual faço parte ainda), e outras, como PLANET HEMP, GRAFORREIA XILARMONICA e etc...
Bandas estrangeiras também estão retornando dos mortos, como o BLACK SABBATH, que fará shows no Brasil ainda este ano de 2013!
Acho bacana isso, e mostra que os roqueiros fazem o que fazem, principalmente por AMOR, e não por FAMA ou DINHEIRO. E prova que tem lugar para todo mundo, cada um no seu estilo e com seu trabalho.
Existe uma nova geração que está vindo por aí: meu sobrinho de 17 anos e uma grande parte dessa galera jovem curte Rock Clássico e Moderno e, com certeza farão a diferença num futuro próximo.
Falando de ROCK...faço um parentesis para exprimir minha admiração pela "nova" banda:
Liderada pelo fantástico cantor e baixista GLENN (Deep Purple) HUGHES, essa banda resume tudo o que uma boa banda de Rock deve ser e deve fazer. O baterista JASON BONHAM (filho do Bonham do LED ZEPPELIN), mais o excelente guitarrista JOE BONAMASSA e o competente tecladista DEREK SHERINIAN completam o time de primeiríssima linha.
O BLACK COUNTRY COMMUNION é daquelas bandas que trazem um sorriso inesperado a quem escuta, pois é impossível não se empolgar com o som dos caras: é a mistura perfeita de "coroas old school" com uma nova geração, gerando um som que beira a perfeição.
Os caras lançaram 3 álbuns em 2 anos e o último, (Afterglow), chegou a entrar nas paradas internacionais. Um feito gigantesco em se tratando de Rock Clássico nos dias de hoje. Pessoalmente gosto mais do segundo (2), mas os 3 são realmente sensacionais!
Dito isto, lembro que a minha banda, o DEFALLA, continua até o dia 30 de Abril com o projeto de Crowdfunding, para gravar um novo álbum. Em tempos atuais é uma solução: driblar as grandes gravadoras e selos multinacionais. Para isso contamos com a sua ajuda:
É sabido que a cultuada banda de rock gaúcha, o Defalla, voltou à ativa em 2011 com a formação clássica (Biba Meira-bateria, Castor Daudt-guitarra, Edu K-voz e Flu-baixo) , e após inúmeros shows pelo país, fechou um repertório com musicas inéditas pra lançar um novo disco.
Há mais de 25 anos na vanguarda do rock nacional, o DeFalla deve gravar um dos discos mais esperados das últimas décadas!
Artistas como Marcelo D2, Raimundos, BNegão, Patu Fu, Paralamas, Edgard Scandurra, Nação Zumbi e outros elogiaram e prestigiaram a recente volta da banda na sua formação clássica e aguardam estes novo álbum com grandes expectativas.
Para isso, a banda fez uma parceria com o site “http://www.embolacha.com.br/projeto/271” para um Projeto de Crowdfunding, no valor estipulado de 50 mil reais, e o público pode contribuir diretamente para o financiamento deste novo álbum do DeFalla.
Esta contribuição se reverterá em prêmios especiais para os participantes, conforme o valor, e vai desde o download autorizado do álbum e nome nos agradecimentos até a participação, com a banda, do videoclipe de lançamento do álbum.
Se o projeto não atingir o valor estipulado, o dinheiro volta intacto aos participantes.
Após o encerramento do prazo, que vai até 30 de abril, com o projeto bem sucedido, banda se reunirá num estúdio e só sairá dele com um disco absurdamente ótimo, com musicas novas gravadas, mixadas e masterizadas.
É realmente uma chance única, dos fãs, amigos admiradores da banda, de participarem ativa e diretamente na história de uma das bandas mais importantes do Rock Nacional.
"Ainda que muito esteja perdido, muito nos resta;e ainda que perdida a força dos velhos tempos, que movia céus e terras; somos o que somos; uma coragem única nos corações heróicos, debilitados pelo tempo e pelo destino, mas persistentes em lutar, achar, buscar, nunca desistir..."
Cheguei com minha esposa e filha na big apple já com o alerta de furacão na mídia. Minha sobrinha, Silvana, que mora lá há 12 anos, nos tranquilizou: "Ano passado foi a mesma coisa com o "Andrew" e não aconteceu nada...".
Só que desta vez aconteceu!
Por sorte, ou destino, ficamos num hotel muito bem-localizado, que não sofreu praticamente nada com a "Sandy". Só os canais de TV saíram do ar, mas a energia e a internet ficaram firmes durante todo o tempo. Abastecidos, com violão, água, pizza, livros e notebook, sobrevivemos a noite do furacão sem problemas.
No outro dia é que a ficha caiu: nada de metrô, metade da cidade sem energia e falta de gasolina nos postos. E o frio, que chegou a -1º C ...
Mesmo assim, nos juntamos aos milhares de novaiorquinos e saímos caminhando pela cidade, que com tudo isso, ainda parecia simpática e convidativa.
Aos poucos as coisas foram se normalizando e conseguimos fazer quase tudo que queríamos fazer: passeios, programas culturais, compras e etc...
Eu visitei a MNN (Manhattan Neighborhood Network), TV Pública de Manhattan e levei cópias de "Balançando o Ganzá" (programas da TVE-AL), para exibição, e fui muito bem recebido por lá.
Gostei muito da MNN, que tem programas educativos excelentes, trabalhando junto à população e às comunidades. Eles distribuem câmeras para as pessoas filmarem e fazerem matérias nas suas comunidades e bairros, além de darem aulas de edição e produção de TV, gratuitas, em salas especiais com equipamentos de primeira. Belo exemplo de cidadania!
New York é uma cidade especial, onde são faladas mais de 160 línguas diferentes, e você se sente numa Torre de Babel, mas ao mesmo tempo conectado a todos, sem distinções. Um clima de segurança nos envolve, de fazer parte de uma comunidade civilizada.
Não sei se foi um pouco por causa da "Sandy", mas fomos muito bem tratados por lá, as pessoas, quando nos viam com mapa na mão, vinham prontamente ajudar e dar indicações, sem precisarmos nem pedir. Nos bares, restaurantes, lojas e ruas, todos pareciam dispostos a ver o lado positivo de tudo. Este é o espírito americano que gosto, sem arrogância nem violência.
Uma consequencia inesperada da "Sandy" foi a falta de Gasolina, que acarretou em filas quilométricas nos postos e diminuiu o serviço de taxis.
Por causa disso não pude tocar num pub muito bacana no Brooklin (Goodbye Blue Monday), pois não haviam taxis de noite, e nem o dono do bar tinha gasolina no seu carro (pois ele me garantiu que me pegaria no hotel se pudesse). Uma pena, pois seria meu primeiro show em New York, mas enfim, entre mortos e feridos tudo deu certo e tivemos uma experiência única e inesquecível em New York.
Quando me perguntam se fiz uma viagem respondo: "Viagem, não,...fiz uma Aventura!"
DeFalla Virada Cultural SP 2012 Biba Castor Edu Flu
Foto de Silvio Mista Wuo
Chegando direto da Virada Cultural SP 2012 depois de um belo show com o DEFALLA no Palco Barão de Limeira, onde também se apresentaram Serguei, Man Or Astroman, Júpiter Maçã e Brothers do Brazil (Supla e irmão). Em outros palcos houveram shows de: Os Mutantes, Titãs, Suicidal Tendencies, Arnaldo Batista e centenas de outros.
A Virada Cultural em SP é um evento extremamente importante que oferece à população da cidade muitas opções culturais: shows de música, dança, teatro, exposições e etc...
É uma celebração da cultura nacional e mundial com acesso gratuito e democrático a todos, seja em palcos, teatros ou outros locais espalhados pela cidade. Um exemplo maravilhoso de administração pública voltada não só a aspectos funcionais da cidade, mas também para o lado artístico e cultural. Parabéns a Prefeitura da cidade de São Paulo!
O DEFALLA veio direto de outro show em Goiânia no Projeto Festival de Teatro Brasileiro - Cena Gaúcha, na noite anterior.
O pessoal de Goiânia está de parabéns, este Projeto deles é fantástico e os caras são super-profissionais e organizados, coisa rara de se encontrar...e fomos super-bem-recebidos, maravilha.
Chegamos em SP de manhã, após o show de Goiania e uma noite sem dormir, em aeroportos e aviões. Fomos direto para o Palco Barão de Limeira fazer o show! Foi muito bacana e correu tudo certo, nada mal pra um bando de quarentões fora-de-forma...
Claro que nada disso seria possível sem o duro trabalho e apoio da nossa super-profissional equipe técnica: Léozinho, Piquet e Cia, sem falar no chefe Lelê Bortholacci e toda a galera da Olelemusic organizando tudo lá em POA e SP:
Estão aí 2 exemplos de iniciativas culturais louváveis e relevantes promovidas por órgãos públicos e privados, mas principalmente pelas pessoas que trabalham nestes locais e lutam para fazer a coisa certa. Em Alagoas a Prefeitura de Arapiraca mostrou como se faz um evento bacana no "Viva Arapiraca" em abril.
Em SP, na Virada, nosso show mereceu destaque, e olhe que tinham, literalmente, centenas de bandas se apresentando:
Bacana, também, foi reencontrar por lá amigos e colegas como: Wander Wildner, Rafael (Planet Hemp) Crespo, Supla, a galera do Messias Elétrico, de Maceió, as Mercenárias, a Patty Fang, o Silvio Wuo, o Rolim e tantos outros nos apoiando e curtindo.
Que continuem a acontecer estas manifestações culturais e artísticas importantes, que valorizam os artistas brasileiros, principalmente, que tanto precisam de algum reconhecimento e apoio.
O famoso baterista Bill Bruford, ex-integrante das bandas Yes, King Crimson, Genesis, U.K., Bruford, Earthworks e outros, em sua recente auto-biografia (Bill Bruford – The Autobiography) elabora sobre o Rock Progressivo:
“Sem os Beatles, ou alguém que tivesse feito o que os Beatles fizeram, é justo admitir que provavelmente não existiria o Rock Progressivo. A música emergiu do estilo psicodélico e folk pastoral do final dos anos 60 e teve uma era de ouro até meados dos anos 70. Bandas psicodélicas como Pink Floyd, The Moody Blues, Procol Harum, e o Nice, todos em formação, lançaram as fundações do estilo entre 1966 e 1970.
O lançamento do álbum "In The Court Of The Crimson King", pelo King Crimson, em 1969, sinalizou o surgimento do estilo de rock progressivo maduro que atingiu seu ápice comercial e artístico entre 1970 e 1975 na música de bandas como Jethro Tull, Yes, Genesis, ELP, Gentle Giant, Van der Graff Generator e Curved Air.
Demograficamente, Rock Progressivo era a música do sudeste inglês, na maioria feito por simpáticos garotos ingleses de classe média como eu. O seu ambiente era de "colarinhos brancos" e seus pais membros destacados na sociedade. Nunca da classe trabalhadora, o Rock Progressivo era a expressão vital de uma boêmia e inteligente classe média."
Aqui no Brasil o “Rock Progressivo”, conhecido também como “Prog.” começou a dar as caras no final dos anos 60 com Os Mutantes, mas ainda em fase muito experimental, e o estilo só se estabeleceria na década de 70, como no resto do mundo. Bandas como O Terço, O Som Nosso de Cada Dia, A Bolha, Casa Das Máquinas e outras, acharam seu espaço e se multiplicaram, mesmo sob a “sombra onipresente” da Ditadura Militar, que odiava aqueles “hippies cabeludos malucos” e seus sons incompreensíveis.
O “Rock Progressivo” se caracteriza, principalmente, por composições complexas e longas, com ritmos intrincados e passagens elaboradas. A “Tropicália” também aproveitava elementos desta nova onda e muitos artistas brasileiros começaram a incorporar elementos e instrumentos de música erudita e de jazz em seus discos. Assim o “Prog.” se estabelecia como uma música de elite, a exemplo da “Bossa Nova”, pois somente pessoas com muito estudo, cultura e instrumentos e equipamentos muito caros tinham acesso a este estilo.
Muitos músicos acabavam construindo seus próprios equipamentos, pois o custo era astronômico. Transportar um órgão ou um teclado eletrônico, na época, era um feito notável e caro. A elite era outra, mais jovem e antenada, mas ainda uma elite das classes média e alta.
Desnecessário dizer que rapidamente o “PROG” virou “POP”, se tornando um estilo muito popular e lucrativo e desencadeando um “boom” de bandas pelo mundo todo, inclusive no Brasil. O Genesis chegou a fazer shows aqui em 1977, (ainda com o guitarrista Steve Hackett), o que na época era inédito, pois estas super-bandas eram praticamente inacessíveis a nós, meros mortais. Assistir a este show do Genesis, na época, foi como um sonho para muitos, como eu.
Muitos talentos da Música Brasileira foram forjados nesta “Oficina Progressiva”. A banda Vímana, que tinha Lobão, Lulu Santos e Ritchie é um ótimo exemplo disto. Chegaram a assinar um contrato de gravação com um grande selo ainda nos anos 70, mas quis o destino que o famoso tecladista Patrick Moraz (ex-Yes) os fizesse rasgar este contrato e os contratasse para ser sua banda de apoio. No final, o projeto não decolou, e cada um saiu em busca de sua carreira (o que funcionou muito bem para eles nos vindouros anos 80).
Este acontecimento é emblemático de uma época e assinala uma enorme transformação que viria a acontecer na música mundial, com a chegada do “Punk” e do “New Wave”, a resposta da classe trabalhadora ao elitismo do “Prog.”
Mas esta é outra curiosa estória para um próximo post. Cheers!
Passou o aniversário de George Harrison, dia 25 de fevereiro (embora haja controvérsia sobre o dia correto...) e muito se postou sobre ele e sua obra.
Muitos gostam dele somente por ter sido um "Beatle", ou por ter sido o "bonitinho", ou o famoso "Beatle quieto" e por incrível que pareça, muitos esquecem a ENORME influência que a sua obra, como um todo, exerceu na música moderna.
Assim como os outros "Beatles", Harrison era um excelente instrumentista e um grande cantor, além de um compositor de mão-cheia. Ainda assim, muitos insistem em menosprezar a sua técnica na guitarra elétrica e a importância da sua influência, elevando outros nomes, até bem relevantes, como Jimi Hendrix ou Eric Clapton. Claro que existiram outros guitarristas tão bons, ou até "melhores" que Harrison, durante a sua carreira. Mas não se trata de uma competição onde o mais rápido ou habilidoso ganha.
Quero destacar aqui a RELEVÂNCIA que a sua figura teve, no sentido de inspirar outras pessoas a pegarem uma guitarra e fazerem uma banda. Neste quesito eu diria que ele é quase imbatível.
Mesmo no início da carreira dos Beatles, entre 1962 e 1965, não eram muitos os guitarristas que inspiravam os sonhos dos adolescentes. Poucos conheciam Scotty Moore, (guitarrista de Elvis Presley) ou Muddy Waters, Chuck Berry e outros monstros sagrados da guitarra elétrica.
Mas quase todos ficavam fascinados com aquele rapazinho cabeludo, magro e quieto, tirando sons, cantando e fazendo solos históricos na sua guitarra elétrica, instrumento relativamente novo ainda na época.
Um exemplo desta importância histórica de Harrison foi o solo de "Can't Buy Me Love" (A Hard Days Night/1964). Consta em alguns sites e blogs de pesquisa histórica que foi um dos primeiros solos de guitarra elétrico a ser "estudado" e "notado" pelas pessoas, que na época nem sabiam o que era "rock", "banda de rock" ou "guitarra elétrica...".
Temos de botar as coisas na perspectiva histórica certa para termos um vislumbre da importância do trabalho dele. É fácil, depois de décadas, dizer "isto é meio ruim" ou "isto foi um pouco mal-tocado" ou "que timbre esquisito da guitarra". Na época os caras tocavam e gravavam nas condições mais "toscas" e primitivas possíveis e faziam verdadeiros "milagres"...
Harrison chegava a gravar 2 guitarras num mesmo canal, uma em cima da outra em tempo real, com o cabeçote de gravação "meio" ajustado, ou seja: se errasse não tinha volta...teriam de regravar tudo de novo, pois não haviam canais suficientes na época.
E na sua carreira-solo, após 1970, desenvolveu um estilo único, com o uso de slides, inspirando também toda uma nova geração de músicos.
Para os amigo(a)s músico(a)s que querem se divertir e homenagear o "Beatle quieto", (e ainda não fizeram isso), pegue a música "Something" (Abbey Road/1969) e toque junto com o solo de guitarra do mestre...um verdadeiro show de bom-gosto, técnica e criatividade...uma verdadeira aula "compacta" que mostra a versatilidade e o ecletismo de George Harrison.
Como um dos muitos que pegaram uma guitarra por sua causa, queria dizer:
Não, não gosto de carnaval, obrigado. Tentei gostar mas não consegui. Nada contra manifestações populares e culturais, é claro.
Somente gosto do sossego e do descanso que este 4 dias me proporcionam, é a hora de recarregar as baterias para o ano que começa, finalmente!
E vamos respeitar nossos vizinhos e não botar nosso som a TODO volume, impondo à força, goela abaixo, uma música que agrada somente a nós e deveria ser apreciada somente por quem realmente gosta dela.
Liberdade de expressão com respeito ao próximo. Difícil?...pode ser...
Muitas vezes as pessoas confundem música e alegria com bebedeira e barulho...
Importantes e fundamentais, também, são as alternativas para quem quer apreciar OUTRO tipo de música, como o FESTIVAL DE JAZZ DE GARANHUNS e o REC-BEAT aqui pertinho de Maceió, em Pernambuco. No Ceará tem um Festival de Jazz também. Que exemplo bacana, né?
Isso me lembra daquele experimento que o jornal americano "Washington Post" fez: colocou um dos maiores violinistas do mundo (Joshua Bell) tocando na hora do rush num metrô e quase ninguém deu bola, com exceção de algumas crianças, e ele arrecadou 35 dólares no final. Dias antes tinha lotado um grante teatro com lugares vendidos a mais de 1000 dólares cada...seu violino, raro, é avaliado em 3,5 milhões de dólares...
Será que estamos dando o valor correto às coisas importantes e belas da vida?
Não estaremos deixando passar desapercebido momentos únicos e raros em troca de futilidades passageiras?