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Maceió, 19 de Maio de 2012

8/5/2012 às
Publicado por Blog do Castor



DeFalla Virada Cultural SP 2012 Biba Castor Edu Flu
DeFalla Virada Cultural SP 2012 Biba Castor Edu Flu
Foto de Silvio Mista Wuo

Chegando direto da Virada Cultural SP 2012 depois de um belo show com o DEFALLA no Palco Barão de Limeira, onde também se apresentaram Serguei, Man Or Astroman, Júpiter Maçã e Brothers do Brazil (Supla e irmão). Em outros palcos houveram shows de: Os Mutantes, Titãs, Suicidal Tendencies, Arnaldo Batista e centenas de outros.

A Virada Cultural em SP é um evento extremamente importante que oferece à população da cidade muitas opções culturais: shows de música, dança, teatro, exposições e etc...

É uma celebração da cultura nacional e mundial com acesso gratuito e democrático a todos, seja em palcos, teatros ou outros locais espalhados pela cidade. Um exemplo maravilhoso de administração pública voltada não só a aspectos funcionais da cidade, mas também para o lado artístico e cultural. Parabéns a Prefeitura da cidade de São Paulo!

O DEFALLA veio direto de outro show em Goiânia no Projeto Festival de Teatro Brasileiro - Cena Gaúcha, na noite anterior.

http://www.alecrim.art.br/2012/espetaculos.html#defalla

http://www.flickr.com/photos/cenagaucha/7166765770/in/set-72157629655944608

O pessoal de Goiânia está de parabéns, este Projeto deles é fantástico e os caras são super-profissionais e organizados, coisa rara de se encontrar...e fomos super-bem-recebidos, maravilha.

Chegamos em SP de manhã, após o show de Goiania e uma noite sem dormir, em aeroportos e aviões. Fomos direto para o Palco Barão de Limeira fazer o show! Foi muito bacana e correu tudo certo, nada mal pra um bando de quarentões fora-de-forma...

Claro que nada disso seria possível sem o duro trabalho e apoio da nossa super-profissional equipe técnica: Léozinho, Piquet e Cia, sem falar no chefe Lelê Bortholacci e toda a galera da Olelemusic organizando tudo lá em POA e SP:

http://www.olelemusic.com.br/

https://www.facebook.com/oleleprodutora

Estão aí 2 exemplos de iniciativas culturais louváveis e relevantes promovidas por órgãos públicos e privados, mas principalmente pelas pessoas que trabalham nestes locais e lutam para fazer a coisa certa. Em Alagoas a Prefeitura de Arapiraca mostrou como se faz um evento bacana no "Viva Arapiraca" em abril.

Em SP, na Virada, nosso show mereceu destaque, e olhe que tinham, literalmente, centenas de bandas se apresentando:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1086336-defalla-suicidal-tendencies-e-dexter-movimentam-a-virada.shtml?utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed

http://www.youtube.com/watch?v=BvtgFEx6QM8

Bacana, também, foi reencontrar por lá amigos e colegas como: Wander Wildner, Rafael (Planet Hemp) Crespo, Supla, a galera do Messias Elétrico, de Maceió, as Mercenárias, a Patty Fang, o Silvio Wuo, o Rolim e tantos outros nos apoiando e curtindo.

Que continuem a acontecer estas manifestações culturais e artísticas importantes, que valorizam os artistas brasileiros, principalmente, que tanto precisam de algum reconhecimento e apoio.

Mais novidades em breve!

Cheers!!


Tags: DeFalla, Virada, Cultural, Castor, Daudt

29/2/2012 às
Publicado por Blog do Castor



King Crimson com Bill Bruford e Robert Fripp
King Crimson com Bill Bruford e Robert Fripp
Comemorando antecipadamente o aniversário destas minhas raras "blogagens", coloco aqui o PRIMEIRO post, que deu início a tudo...

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O famoso baterista Bill Bruford, ex-integrante das bandas Yes, King Crimson, Genesis, U.K., Bruford, Earthworks e outros, em sua recente auto-biografia (Bill Bruford – The Autobiography) elabora sobre o Rock Progressivo:

“Sem os Beatles, ou alguém que tivesse feito o que os Beatles fizeram, é justo admitir que provavelmente não existiria o Rock Progressivo. A música emergiu do estilo psicodélico e folk pastoral do final dos anos 60 e teve uma era de ouro até meados dos anos 70. Bandas psicodélicas como Pink Floyd, The Moody Blues, Procol Harum, e o Nice, todos em formação, lançaram as fundações do estilo entre 1966 e 1970.

O lançamento do álbum "In The Court Of The Crimson King", pelo King Crimson, em 1969, sinalizou o surgimento do estilo de rock progressivo maduro que atingiu seu ápice comercial e artístico entre 1970 e 1975 na música de bandas como Jethro Tull, Yes, Genesis, ELP, Gentle Giant, Van der Graff Generator e Curved Air.

Demograficamente, Rock Progressivo era a música do sudeste inglês, na maioria feito por simpáticos garotos ingleses de classe média como eu. O seu ambiente era de "colarinhos brancos" e seus pais membros destacados na sociedade. Nunca da classe trabalhadora, o Rock Progressivo era a expressão vital de uma boêmia e inteligente classe média."

Aqui no Brasil o “Rock Progressivo”, conhecido também como “Prog.” começou a dar as caras no final dos anos 60 com Os Mutantes, mas ainda em fase muito experimental, e o estilo só se estabeleceria na década de 70, como no resto do mundo. Bandas como O Terço, O Som Nosso de Cada Dia, A Bolha, Casa Das Máquinas e outras, acharam seu espaço e se multiplicaram, mesmo sob a “sombra onipresente” da Ditadura Militar, que odiava aqueles “hippies cabeludos malucos” e seus sons incompreensíveis.

O “Rock Progressivo” se caracteriza, principalmente, por composições complexas e longas, com ritmos intrincados e passagens elaboradas. A “Tropicália” também aproveitava elementos desta nova onda e muitos artistas brasileiros começaram a incorporar elementos e instrumentos de música erudita e de jazz em seus discos. Assim o “Prog.” se estabelecia como uma música de elite, a exemplo da “Bossa Nova”, pois somente pessoas com muito estudo, cultura e instrumentos e equipamentos muito caros tinham acesso a este estilo.

Muitos músicos acabavam construindo seus próprios equipamentos, pois o custo era astronômico. Transportar um órgão ou um teclado eletrônico, na época, era um feito notável e caro. A elite era outra, mais jovem e antenada, mas ainda uma elite das classes média e alta.

Desnecessário dizer que rapidamente o “PROG” virou “POP”, se tornando um estilo muito popular e lucrativo e desencadeando um “boom” de bandas pelo mundo todo, inclusive no Brasil. O Genesis chegou a fazer shows aqui em 1977, (ainda com o guitarrista Steve Hackett), o que na época era inédito, pois estas super-bandas eram praticamente inacessíveis a nós, meros mortais. Assistir a este show do Genesis, na época, foi como um sonho para muitos, como eu.

Muitos talentos da Música Brasileira foram forjados nesta “Oficina Progressiva”. A banda Vímana, que tinha Lobão, Lulu Santos e Ritchie é um ótimo exemplo disto. Chegaram a assinar um contrato de gravação com um grande selo ainda nos anos 70, mas quis o destino que o famoso tecladista Patrick Moraz (ex-Yes) os fizesse rasgar este contrato e os contratasse para ser sua banda de apoio. No final, o projeto não decolou, e cada um saiu em busca de sua carreira (o que funcionou muito bem para eles nos vindouros anos 80).

Este acontecimento é emblemático de uma época e assinala uma enorme transformação que viria a acontecer na música mundial, com a chegada do “Punk” e do “New Wave”, a resposta da classe trabalhadora ao elitismo do “Prog.”

Mas esta é outra curiosa estória para um próximo post. Cheers!


Tags: Rock, Progressivo, Castor, Daudt, Bill, Bruford

26/2/2012 às
Publicado por Blog do Castor



George Harrison The Beatles
George Harrison The Beatles
Passou o aniversário de George Harrison, dia 25 de fevereiro (embora haja controvérsia sobre o dia correto...) e muito se postou sobre ele e sua obra.

Muitos gostam dele somente por ter sido um "Beatle", ou por ter sido o "bonitinho", ou o famoso "Beatle quieto" e por incrível que pareça, muitos esquecem a ENORME influência que a sua obra, como um todo, exerceu na música moderna.

Assim como os outros "Beatles", Harrison era um excelente instrumentista e um grande cantor, além de um compositor de mão-cheia. Ainda assim, muitos insistem em menosprezar a sua técnica na guitarra elétrica e a importância da sua influência, elevando outros nomes, até bem relevantes, como Jimi Hendrix ou Eric Clapton. Claro que existiram outros guitarristas tão bons, ou até "melhores" que Harrison, durante a sua carreira. Mas não se trata de uma competição onde o mais rápido ou habilidoso ganha.

Quero destacar aqui a RELEVÂNCIA que a sua figura teve, no sentido de inspirar outras pessoas a pegarem uma guitarra e fazerem uma banda. Neste quesito eu diria que ele é quase imbatível.

Mesmo no início da carreira dos Beatles, entre 1962 e 1965, não eram muitos os guitarristas que inspiravam os sonhos dos adolescentes. Poucos conheciam Scotty Moore, (guitarrista de Elvis Presley) ou Muddy Waters, Chuck Berry e outros monstros sagrados da guitarra elétrica.

Mas quase todos ficavam fascinados com aquele rapazinho cabeludo, magro e quieto, tirando sons, cantando e fazendo solos históricos na sua guitarra elétrica, instrumento relativamente novo ainda na época.

Um exemplo desta importância histórica de Harrison foi o solo de "Can't Buy Me Love" (A Hard Days Night/1964). Consta em alguns sites e blogs de pesquisa histórica que foi um dos primeiros solos de guitarra elétrico a ser "estudado" e "notado" pelas pessoas, que na época nem sabiam o que era "rock", "banda de rock" ou "guitarra elétrica...".

Temos de botar as coisas na perspectiva histórica certa para termos um vislumbre da importância do trabalho dele. É fácil, depois de décadas, dizer "isto é meio ruim" ou "isto foi um pouco mal-tocado" ou "que timbre esquisito da guitarra". Na época os caras tocavam e gravavam nas condições mais "toscas" e primitivas possíveis e faziam verdadeiros "milagres"...

Harrison chegava a gravar 2 guitarras num mesmo canal, uma em cima da outra em tempo real, com o cabeçote de gravação "meio" ajustado, ou seja: se errasse não tinha volta...teriam de regravar tudo de novo, pois não haviam canais suficientes na época.

E na sua carreira-solo, após 1970, desenvolveu um estilo único, com o uso de slides, inspirando também toda uma nova geração de músicos.

Para os amigo(a)s músico(a)s que querem se divertir e homenagear o "Beatle quieto", (e ainda não fizeram isso), pegue a música "Something" (Abbey Road/1969) e toque junto com o solo de guitarra do mestre...um verdadeiro show de bom-gosto, técnica e criatividade...uma verdadeira aula "compacta" que mostra a versatilidade e o ecletismo de George Harrison.

Como um dos muitos que pegaram uma guitarra por sua causa, queria dizer:

"- Obrigado George!"

http://www.youtube.com/watch?v=xzkhOmKVW08


Tags: George, Harrison, The, Beatles, Castor, Daudt

18/2/2012 às
Publicado por Blog do Castor



carnaval
carnaval
Não, não gosto de carnaval, obrigado. Tentei gostar mas não consegui. Nada contra manifestações populares e culturais, é claro.

Somente gosto do sossego e do descanso que este 4 dias me proporcionam, é a hora de recarregar as baterias para o ano que começa, finalmente!

E vamos respeitar nossos vizinhos e não botar nosso som a TODO volume, impondo à força, goela abaixo, uma música que agrada somente a nós e deveria ser apreciada somente por quem realmente gosta dela.

Liberdade de expressão com respeito ao próximo. Difícil?...pode ser...

Muitas vezes as pessoas confundem música e alegria com bebedeira e barulho...

Importantes e fundamentais, também, são as alternativas para quem quer apreciar OUTRO tipo de música, como o FESTIVAL DE JAZZ DE GARANHUNS e o REC-BEAT aqui pertinho de Maceió, em Pernambuco. No Ceará tem um Festival de Jazz também. Que exemplo bacana, né?

Isso me lembra daquele experimento que o jornal americano "Washington Post" fez: colocou um dos maiores violinistas do mundo (Joshua Bell) tocando na hora do rush num metrô e quase ninguém deu bola, com exceção de algumas crianças, e ele arrecadou 35 dólares no final. Dias antes tinha lotado um grante teatro com lugares vendidos a mais de 1000 dólares cada...seu violino, raro, é avaliado em 3,5 milhões de dólares...

Será que estamos dando o valor correto às coisas importantes e belas da vida?

Não estaremos deixando passar desapercebido momentos únicos e raros em troca de futilidades passageiras?

Olha aí:

http://www.youtube.com/watch?v=saGUDKbzCXE


Tags: carnaval

12/12/2011 às
Publicado por Blog do Castor



Show Bar Ocidente POA 2011
Show Bar Ocidente POA 2011
(Foto de Patty Fang)

Quem acompanha meus raros textos por aqui, já deve saber que a minha ex-banda, o DeFalla, anda se reunindo para alguns shows pelo país recentemente.

Esta volta inusitada despertou questionamentos e reviveu emoções fortes nas pessoas ligadas à música e ao rock nacional, entre amigos, não-amigos, colegas e outros...

Reproduzo aqui o conteúdo do site http://www.aredacao.com.br/culturas.php?noticias=5779 e a entrevista que dei ao jornalista Jairo Macedo, na ocasião do show do DeFalla no GOIANIA NOISE FESTIVAL, agora em novembro:

"Já se passaram 25 anos desde que o DeFalla decidiu estragar tudo e trilhar o caminho oposto ao do rock brasileiro de sua geração. Entre a vanguarda e o escracho total, o grupo gaúcho foi amado e odiado, passou por intermináveis formações, transitou por vários estilos e, na medida do possível, saiu vivo de todos eles. Tudo sob o comando do frontman Edu K, espécie de mistura de Mike Patton com Iggy Pop, só que canastrão desde sempre e hoje meio gordinho.

Logo no primeiro disco, o cultuado Papapaparty (1987), angústia pós-punk e groove dividem o mesmo espaço, algo intragável para os guetos da época. O disco seguinte, It's Fuckin' Borin' to Death, abre com duas desconstruções de clássicos de Beatles e Raul Seixas. Neste registro de 1988, estava escancarada a porta do funk/metal/rap - em sincronia com o que Red Hot Chilli Peppers e Faith No More faziam lá fora - e de toda a esquizofrenia que viria nos seis discos seguintes. Tanta anarquia foi descambar até à "fase Miami", uma das reencarnações da banda, sob forte influência do pancadão carioca e com o - vá lá... - curioso hit Popozuda Rock'n'Roll, em 2000. Dois anos depois, foi lançado Superstar, último álbum de estúdio até aqui.

Em 2011, o convite para um único show bastou para que os quatro integrantes originais, hoje morando em quatro estados diferentes do país, se reunissem em Porto Alegre. Novos convites surgiram desde então e Goiânia foi incluída na rota. O DeFalla está na programação de 17º Goiania Noise e toca no próximo sábado (3/12). A Redação conversou com Castor Daudt, guitarrista da banda, eufórico na ocasião em função do show que fariam naquela noite no Ocidente, bar portoalegrense berço do DeFalla e de quase todo o rock da cidade."


Como é que foi acontecer esta nova reunião da banda?
Tem um projeto em Porto Alegre, chamado Discografia Rock Gaúcho, que tenta reunir as bandas para executarem um disco inteiro com a formação original. Eles nos convidaram - eu, Biba, Flu e Edu K - pra tocar o nosso primeiro disco. Neste evento, tivemos que fazer duas sessões na mesma noite. Lotamos duas vezes a casa. Aí a gente pensou: 'De repente, se aparecer outras oportunidades de shows, podemos fazer'. Daí começaram a nos propor novos shows. Pintou um em São Paulo, depois outro em Porto Alegre, no Porão do Rock em Brasília, na festa SeRasgum em Belém. Foi uma recepção totalmente inesperada.

No show, são só as músicas antigas ou tem coisas novas surgindo? Existe alguma possibilidade de disco de inéditas?
Nós nos reunimos pra tirar o Papaparty, basicamente, e depois o segundo. Neste show em Goiânia, 80% do show vai ser composto por estes dois discos, que são aqueles gravados com essa formação, e algumas dos outros também. E estamos pensando em disco novo sim. Temos trocado bases e riffs pela internet. A Biba faz vários ritmos, loops, sequências, manda para nós e botamos guitarra e baixo em cima. Neste processo, duas ou três músicas estão em andamento. Já tivemos até propostas de gravadora, mas não há material o suficiente ainda. Em 2012, rola algo com certeza.

Com tantas idas e vindas, é possível dizer que o DeFalla está voltando de fato? Ou ele nunca foi embora?
Bom, eu saí faz uns 15 anos. A partir de 1996, virou basicamente uma coisa do Edu. Depois do disco de 92 (Kingzobullshitbackinfulleffect92, lançado pela Cogumelo Records), não era mais uma banda. O show no Hollywood Rock simbolizou este último momento. O Edu saiu e lançou um disco solo, Meu nome é Edu K. Nós outros tínhamos um monte de músicas e reunimos um outro time. Usamos o nome D-Phala, não era bem o DeFalla. Depois o Edu retomou o nome e fez outros discos. Aconteceram outras voltas meio curtas, mas agora foi a hora exata. Teve tempo da gente amadurecer e foi a coisa certa no momento certo.

Olhando para trás agora, onde o DeFalla se situa no rock brasileiro dos anos 80?
A gente foi aquele outro lado que devia existir. Nos anos 80, era todo mundo muito bundinha. Meio xarope mesmo eram só o Renato Russo e o Cazuza, mas o som também era muito bundinha. Todos queriam fazer sucesso e dinheiro, enquanto nós não estávamos nem aí: escrevíamos letra em inglês, juntava com português, fazíamos o que queríamos. A gente rescindiu contrato com uma multinacional, por exemplo, o que ninguém faria. Fizemos o caminho inverso, saindo do mainstream e indo para o independente. Entendo que nossa banda foi necessária para contrabalancear essa bundice. Tem que ter sempre um lado. Nós éramos o outro lado da moeda do rock nacional.

E o tal do rock gaúcho, ou o que se convencionou chamar de "rock gaúcho", isso existe?
Andei pensando nisso e acho que o rock gaúcho não existe. Pra mim, Kleiton e Kledir foram os únicos que misturaram o estilo gauchesco com rock e MPB. O Nenhum de Nós também tenta fazer, tem sanfoneiro e tal, mas ficam em um meio-termo. Não é gauchesco, nem é pop rock. Podemos dizer que, embora excelentes, as outras bandas - Replicantes, Cascavelletes, TNT, Garotos da Rua, etc. - eram uma cópia do rock inglês com sotaque gaúcho. Tinha letras, atitude, mas em termos musicais vai muito pelo rock inglês e americano. Nós temos aquele espírito separatista, o rock gaúcho sempre tentava ser diferente, mas nunca foi bem assim.

Como foi assistir de longe aquela guinada para o funk carioca feita pelo Edu K?
De fora, foi muito estranho (risos). Na época, eu ri muito, já que o DeFalla sempre foi mais vanguarda e, de repente, ele fez uma coisa bem do povão. Eu acho que ele usou o nome do DeFalla, mas era muito mais uma coisa dele. Considero que era "Edu K e DeFalla". O Edu não fez de propósito, pra ganhar dinheiro. Ele faz o que ele quer e, se as pessoas até pedem nos shows, como vou ser contra? Não sou contra algo que ele faz para pagar as contas dele. Até tocamos a música da popozuda em São Paulo, com participação do Beijo AA Força, e estamos pensando em ensaiar uma versão mais pesada dela.

É fácil voltar a conviver e fazer música com um sujeito hiperativo como ele?
O Edu K é uma figura muito forte. Ele tende a ficar sempre nos puxando pra um lado e depois para o outro. Eu e o Flu, que somos mais velhos e o conhecemos há muito tempo, sempre contrabalanceávamos. Ou às vezes a gente ia com ele mesmo (risos). Mas existe essa química, que é o legal hoje. Os quatro tem 25% de valor e opinião. Acho até que o Edu tava com saudade dessa colaboração. Ele ficou fazendo tudo sozinho durante muito tempo. Ninguém faz tudo só.

Em seu blog, você fez uma pergunta retórica sobre "o que faz um coroa caretão como eu pegar a guitarra empoeirada e sair por aí fazendo rock". Qual é a resposta para essa pergunta?
É o amor pelo rock, cara, pela música. É maior que tudo. Conheço muito cara que larga mulher, emprego, o que tiver. É um apelo irresistível. Tenho 49 anos, filha, emprego, mas quando tem show eu me arranco. Digo: "Ah, eu vou, não sei quando vai ter outro". Tenho duas guitarras aqui, tô cheio de mala, bagagem, vou para o aeroporto e foda-se. Olha o Paul McCartney, cara. Vai fazer 70 anos e vai lá, faz show de duas horas e meia. Já tem dinheiro e fama, mas ainda faz isso. Isso é afudê!

 


Tags: Rock, Nacional, Gaúcho, Castor, Daudt, DeFalla

6/10/2011 às
Publicado por Blog do Castor



"Rock In Rio" virou marca, viajou pelo mundo e voltou ao Rio em 2011.

Voltou mudado, com ambições de ser o maior e mais variado festival de música do mundo. Será mesmo? Ninguém, sabe, mas que foram dias estranhos estes no final de setembro, foram... Axl Rose, Cláudia Leite, Ivete Sangalo, Motorhead, Mutantes, Metallica, Slipknot...

A maioria das bandas, muito politicamente corretas, fazendo shows burocráticos e se desmanchando em elogios ao festival nas entrevistas (toscas por sinal) das gurias do MULTISHOW, que em meio a uma avalanche de gafes, pelo menos "tentou" fazer uma cobertura ampla do festival...

Mas no final, pra mim, ficou aquele gosto estranho...e a terrível pergunta:

" - Foi mesmo relevante? "

Como um marco dos tempos que estamos vivendo no Brasil, inédito, com muitos shows, festivais, editais, promoções e incentivos à música, foi mesmo, e também da morte do rock como instrumento de rebeldia e inconformismo, (embora muitos críticos afirmem que a morte real ocorreu na virada dos anos 70 para os 80...).

Coincidentemente, há pouco se comemorou os 20 anos do lançamento (1991) do fundamental "Nevermind" do NIRVANA, que muitos já consideravam o "decreto de morte do rock"...mas o rock não morreu, apenas envelheceu...

E virou uma paródia de si mesmo, como se pode ver no Rock In Rio 2011.

Por outro lado, houveram momentos marcantes, shows memoráveis e boas surpresas nesta maratona musical e, afinal, mesmo não sendo aquela maravilha que os mais coroas, como eu, poderíamos sonhar, seria pior se não tivesse nada...

Por isso vou me abster de julgar com mais severidade este Rock In Rio 2011...

...mas não me aventuraria nem a chegar perto da "Cidade do Rock", se não fosse para tocar...

 

 


11/9/2011 às
Publicado por Blog do Castor



DeFalla no festival de Inverno POA 2011
DeFalla no festival de Inverno POA 2011
A demora em postar aqui no blog se deve a várias razões, a mais curiosa delas foi a repentina "volta" da minha ex-banda, o DEFALLA, com sua formação clássica: Biba Meira-bateria, Castor Daudt-guitarra, Flu-baixo e Edu K-voz.

Convidados a fazer um "show especial" de comemoração de 25 anos da formação da banda, nos vimos surpreendidos por uma súbita atenção e valorização do mercado e da mídia, nos colocando de volta ao mercado musical nacional e realizando vários shows pelo país, inclusive o badalado "PORÃO DO ROCK" em Brasília ao lado de atrações internacionais como "JON SPENCER BLUES EXPLOSION".

Este acontecimento é instigante no sentido de que esta reunião NÃO ESTÁ SENDO um "Baile da Saudade" com fãs de meia-idade emocionados...mas sim um verdadeiro reconhecimento da relevância do nosso trabalho musical pelas novas gerações.

O DEFALLA sempre teve a preocupação de inovar, experimentar, ousar, o que, na época não foi muito bom comercialmente, pois espantou o público comum, acostumado à músicas mais conservadoras, mas que agora se prova valiosa, pois nossas músicas AINDA SOAM ATUAIS.

Não ficaram datadas, pois miravam no futuro, que acabou chegando ...

Ainda não sei se vamos gravar material novo, regravar velho ou seja lá o que vier a acontecer, mas somente esta volta "por cima" nos conforta e "lava nossas almas", como um reconhecimento tardio, mas oportuno.

Mais importante que tudo ainda acho que é o amor pela música e pela arte, que une crianças e velhos, adolescentes e adultos numa paixão ardente por ritmos, melodias e harmonias que falam direto aos nossos corações.

Que outra explicação podemos dar pra os shows lotados de hoje em dia? O Morumbi lotado pra ver o Paul McCartney? Os ingressos esgotados em minutos para a maioria dos grandes shows? As "reuniões" de grandes nomes da música, os infinitos "Bailes da Saudade"?

O que faz um coroa caretão como eu pegar a guitarra empoeirada do canto da sala e sair pelo país fazendo rock?

É aquele "vírus" da música que toma conta da gente, tanto os músicos como os fãs apreciadores da música e nos faz esquecer de todo o resto...

Enfim, a história continua enquanto fios do passado se entrelaçam com o presente para tramar o futuro...


19/6/2011 às
Publicado por Blog do Castor



Rock Garagem 1 com as pricipais bandas gaúchas da época
Rock Garagem 1 com as pricipais bandas gaúchas da época
Os anos 80 pegaram quase todos os roqueiros desprevenidos. Bandas consagradas, como YES e GENESIS viraram sinônimo de música ruim e arrogante. Disco de bandas Punks, New-waves e até Pós-punks enchiam as prateleiras das lojas no mundo todo.

No Brasil, mais especificamente em POA-RS, onde eu morava (e tocava bateria em diversas bandas) na época, toda esta mudança praticamente extinguiu as bandas existentes, pois quase todas seguiam a cartilha do Rock/Hard-Rock/Metal Progressivo.

Por sorte alguns gaúchos visionários como o músico/produtor/agitador cultural Carlos Eduardo Miranda(QST-SBT) e o professor/músico Carlos Gerbase(ex-Replicantes) perceberam logo esta mudança e trataram de juntar forças para enfrentar os duros tempos que viriam.

Gerbase criaria (com Wander Wildner e os irmãos Heinz) a fundamental banda punk “OS REPLICANTES”, e Miranda criaria (comigo, Flu, Rodrigo Correa, Biba Meira, Lila Vieira, Patsy Cecato e Luciene Adami) a clássica banda new-wave, “URUBU-REI”. Outras bandas, de vários estilos, começaram a se organizar, ensaiar e todo um novo panorama musical estava sendo criado em POA para concorrer com as bandas do RIO, SP e BRASÍLIA.

Claro que tudo era muito difícil e o público gaúcho não era ainda o público roqueiro consumidor que é hoje em dia. Não existiam espaços para tocar, os equipamentos eram precários e as rádios um pouco relutantes em apoiar esta nova galera, com a exceção honrosa da IPANEMA FM e do DJ Ricardo Barão que inclusive abriu uma casa noturna  de shows (Rola Rock) e produziu os hoje lendários LPs ROCK GARAGEM 1 (foto anexa) e 2, abrindo espaço para muitas bandas.

Ir a SP ou RIO tocar era ainda um sonho distante, assinar um contrato de gravação com uma grande gravadora, então,...um delírio total.

A gente armava shows literalmente em qualquer lugar possível, desde ginásios em escolas, passando por bares e danceterias até no meio da rua no centro da cidade.

Atentos às mudanças de mercado, a antiga RCA-Victor (então BMG-Ariola) criou um selo (PLUG) para lançar estas novas bandas de rock. Uma das primeiras bandas a serem contratadas, no sul , foi “OS REPLICANTES”, estabelecendo então, de uma vez por todas, que, para se tocar, gravar e ter uma carreira não precisava saber tocar um instrumento “muito bem” ou ter “educação musical”  tradicional...bastava talento, garra, criatividade e inspiração. E isto “OS REPLICANTES" tinham de sobra...

Neste meio tempo, o “URUBU-REI” tinha acabado, e eu e o Flu estávamos tocando com o cantor e compositor Júlio Reny em sua banda “EXPRESSO ORIENTE”. Eu já tinha migrado da bateria para a guitarra, desde o “URUBU”, e começava a compor.

O “DEFALLA” já existia como um trio, com Biba Meira na bateria, Edu K. na guitarra e vocal e Carlo Pianta no baixo e vocal).

A BMG (selo PLUG) então contratou o “DEFALLA”, os “ENGENHEIROS DO HAWAI”, o “TNT”, “OS REPLICANTES” e os “GAROTOS DA RUA” para gravarem a histórica coletãnea “ROCK GRANDE DO SUL”, que vendeu muito bem e deu a partida na carreira de todas estas bandas.

Mas o “DEFALLA” passava por problemas internos e, com a saída do baixista Carlo Pianta, a baterista Biba Meira convidou a mim e ao Flu (ex-colegas do “URUBU”) para integrarmos a  banda definitivamente e gravarmos os 2 primeiros LPs pela BMG-Ariola em SP, além de sair em tour pelo país.

Era a hora de arregaçar as mangas e se lançar no “instável” mercado musical brasileiro...


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