Após uma longa espera, o analista de sistemas Gabriel D'Asti Ventura Vicalvi, 26, vai receber uma companheira que deve mudar sua vida. Foram quatro anos e meio até o jovem --cego devido a uma doença congênita-- receber Júlia, cão-guia da raça Golden Retriever.
"Eu estou muito ansioso, com o coração batendo mais forte. Ainda não sei como ela vai mudar minha vida, mas com certeza vou ter mais liberdade", afirmou o rapaz, que teve um almoço de comemoração na quinta-feira com os colegas de trabalho. "O pessoal está todo contente".
Gabriel é analista de sistemas do banco Itaú e está concluindo a faculdade na UniSantana, na zona norte de São Paulo. Ele conta que faz tudo de ônibus e de metrô, mas aponta que às vezes precisa da ajuda das pessoas para atravessar ruas movimentadas, desviar de orelhões, além de precisar dos funcionários do metrô nas plataformas.
O rapaz se cadastrou no Iris (Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social), que tem uma parceria com o Instituto Cão Guia Brasil. Essa última foi responsável pelo treinamento do cachorro nos últimos 18 meses e pelas entrevistas que apontaram Gabriel como compatível ao cão.
"A gente faz uma seleção por compatibilidade, que inclui entrevista e análise de perfil até determinar quem vai receber um cão-guia. Nesse processo a gente analisa velocidade da pessoa, altura, perfil e personalidade", afirma o treinador George Thomaz Harrison, presidente do Cão Guia Brasil.
Após receber Júlia, que veio do Rio de Janeiro, Gabriel passará por quatro semanas de treinamento para aprender a lidar com o animal. "Seremos eu, ela e o treinador por um tempo. Ela vai me ajudar, mas eu também vou ter que ajuda-la. É como um filho. Vou ter a responsabilidades de cuidar, alimentar, levar ao banheiro", completou.
Harrison estima que haja em todo o país cerca de 12 mil pessoas aguardando um cão-guia. Apenas cadastrados no Instituto Cão Guia Brasil são 2.500. Além disso, ele aponta que existem apenas em torno de 80 cães-guias ajudando deficientes hoje. (FERNANDA PEREIRA NEVES)
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