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Maceió, 22 de Maio de 2013

15/8/2012 às 20:17:57
Publicado por Leonam Quirino



 

Em todo lugar que se preze, tem sempre um cara que ser a todo custo O CARA. É um tipo insuportável, metido, conversador e atravessado que só cu de calango, aliás, aproveitando a deixa da pequena palavra, o tipo é desses que defende com unhas e dentes, a tese de que: pelos seus estudos  lingüísticos, um orifício que está nas nádegas, obrigatoriamente tem que ter acento. Pode?

Pois muito bem, conta-se que um sujeito com essa envergadura, em plena época junina, saiu de Campina Grande no seu Fiat 147, bege e foi catar um forró pelas cidades da redondeza. Já manjado na cidade grande e devidamente classificado como farofeiro de primeira linha, não tinha alternativa para destilar seus falatórios pomposos de um Don Juan depois da gripe, em cima das matutinhas dos sítios.

Chegando num desses ginásios aonde se apresentava a despontante banda Xixi com Groselha, que cantava músicas de alto teor cultural, a exemplo de “A dança do aparpa” da banda Aviões do Forró numa composição do letrista Maurinho Silva que poeticamente diz:

“Se você briga com sua mulher

Ela não quer contigo falar

Se você chega à noite em casa
Fervendo em brasa querendo hanhá
Se sua mulher só olha pros lados
O fogo cruzado não deixa se aproximar
Se sua mulher vai para cama
Se deita e não te chama
Então vou lhe ensinar, como é que se faz:

Aparpa em cima
Aparpa por trás
Aparpa na frente
É assim que se faz”


Pronto, era tudo que o famigerado conquistador precisava. O clima era dos mais promissores.

E lá se foi o galanteador... comprou o ingresso, entrou com aquele ar de Richard Gere, deu uma geral, e foi pro gaiolão... explico: gaiolão, era um misto de bar e lugar para descanso dos bêbados mais exaltados; após verificar que tinha uma ruma de matutinhas por perto, para impressionar, chamou o camarada que estava atrás do balcão, meteu a mão no bolso tirou a única nota de cem que tinha e disse: chefia, me dá uma dose dupla do professor!

O caba disse: Cuma? –

Uma dupla de Teachers, é porque eu vou logo traduzindo, entendeu?

Pegou o copo, botou o dedão no gelo e saiu rodando o ginásio e rodando o gelo só pra fazer o barulhinho. Foi quando vislumbrou uma mulher linda, sentada sozinha numa mesa. Deduziu, deve ser casada ou filha de algum coronel e resolveu encarar:

Olá! Posso sentar-me ao seu lado?

Hum hum. Respondeu a gatuta (gata matuta)

Ficou aquele hiato de silêncio, mas ele charmosamente acendeu um charuto (o único tambem) e baforou a fumaça que atingiu, propositadamente, a bela da noite que incomodada tossiu. Era a chave:

Perdão, jovem donzela. Mas se as espiriais do meu havaiano atingiram a tua cutis e incomodaram a tua respiração, dize-me que o apaguarei sem pestanejar.

Ela toda tímida respondeu sob um enigmático sorriso: sei não, mas fale com pai que pode ser que deixe nóis casá.

O cabra pegou o embalo da deixa e chegou junto, bem juntinho e disparou: permite uma parte na dança? – Não posso. E mostrou que por uma deficiencia congênita não tinha as duas pernas.

Um balde de agua fria caiu sobre o conquistador. Mas persistente não desistiu; ainda sob o impacto do ato, tomou todas e ainda influenciou a linda bi-cotó na beberagem.

Lá pras tantas, já madrugada, o baile vai terminando e a moça pede que o rapaz a carregue até a sua casa.

O fidalgo citadino não se faz de rogado e com o nível etílico, já devidamente reprovado por qualquer bafômetro, pega a gostosa matutinha bota nos braços e sentindo que embora ela não tivesse os membros inferiores, o resto, inclusive as coxas eram incríveis. E aí parceiro, amassa daqui, amassa dali, não deu outra: debaixo de um camarranchão pendurou a menina num  arco de aço recoberto de flores, subiu num banco que havia e mandou ver.

Já era madrugada em que o ato foi devidamente concluído, e aí bateu um desespero e um arrependimento, no conquistador, por ter “se aproveitado” daquela deficiente, levou-a nos braços até a casa grande, e foi recebido pelo pai da moça, que deixava à mostra um parabelo 38 cano longo que foi logo ouvindo um desabafo de medo do rapaz:

Meu senhor, sou um crápula. Me aproveitei de sua filha ali no jardim... mas...

O velho interrompeu. Muito obrigado por ser tão gentil.

O senhor não entendeu. Abusei sexualmente de sua princesa.

Eu só tenho a agradecer ao senhor. Vê logo que é um moço da cidade pois, os outros comem e deixam a bichinha pendurada.

Eita porra! pensei que tinha chegado ao meu fim.

 


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